segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Cócócócócócócó, Múúúúúúúúúú (ou os apuros para se comunicar numa lingua que você não fala)
Depois disso só fui viajar de novo aos 18 anos, mas já falava inglês e japonês razoalvelmente bem à ponto de me virar. Depois, só aos 21 (e com fluência in English and Nihongo de) e não parei mais. Portanto, nunca passei por uma situação de não entender o que os comissários estão falando - se bem que acho que 90% da população mudial sabe o que quer dizer "Chicken or Beef".
Quando tem um passageiro que não fala inglês, somos treinados à NÃO fazer o título do post! Mesmo com 26 comissários à bordo e as vezes com até 19 idiomas falados (Como dizemos nos anúncios à bordo: "Para a sua comodidade os idiomas falados pela tripulação incluem Árabe, Inglês, Francês, Espanhol, Português.....), falta justamente o idioma que vamos precisar! Como diz o ditado, uma imagem vale mais que mil palavras, então simplesmente eu mostro ao passageiro os pratos que temos e ele(a) escolhe. Normalmente os passageiros que não falam inglês bebem água, suco de laranja ou coca/sprite, que são fáceis de falar... Mesmo assim, isso não significa que nós não passamos por apuros quando não entendemos os passageiros...
No meu primeiro voo, tinha uma família inteira de indianos que só falava Punjabi. Pun o que? Isso mesmo meu amigo(a), Punjabi. Eu nem sequer sabia que esse idioma existia, até o meu primeiro voo. Por sorte, haviam passageiros no voo que falavam Punjabi e Inglês e nos ajudaram a entender o que eles queriam dizer: estavam indo ao Canadá, e não Londres (destino do voo) e não sabiam se precisariam dos cartões de imigração do Reino Unido.
Aliás, passageiros ajudam bastante! Na minha última viagem à Sydney tínhamos uma senhora que só falava Farsi (abre parenteses beeeeem comprido: muita gente acha que em todo Oriente Médio se fala Árabe, mas alguns países são exceção: Irã/Farsi, Afeganistão/Persa, Israel/Hebraico, Chipre/Grego e Turco e Turquia/Turco, obviamente. Além disso, no Paquistão - que fica na Ásia mas exporta muitos trabalhadores pra cá - a língua oficial é o Urdu. Santo Wikipedia). Ela tinha uma carta em Farsi e Inglês com frases úteis para ela, tipo, "Meu nome é tal, venho de Teerã para visitar minha neta Fulana, cujo telefone é tal etc etc" (que aliás, minha vó também usou em viagem ao Japão, rs). Mas nada em relação aos cartão de entrada da Austrália - que eu precisava explicar EM FARSI, que eu não poderia preencher para ela, já que a lei Australiana exige que cada um preencha o seu (salvo casos de incapacitados ou crianças, por exemplo). Por sorte, encontrei um senhor muito simpático, que falava Farsi e Inglês, sentando perto dela que me ajudou a explicar. No mesmo voo, um italiano que falava pouco inglês também veio perguntar sobre o tal cartão (hellooooow, agentes de viagem, explique pelo menos aos seus passageiros sobre isso, como eu fazia nos meus tempos, rs). A Vaida, uma das comissárias, jogou a batata na minha mão, mesmo sabendo que eu não falo Italiano! Expliquei ao moço logo de cara com todo o meu italiano que "Io sono brasiliana, non capisco Italiano, Spagnolo OK?" (o que foi uma meia verdade, já que expliquei tudo em portunhol, rsrsrs). O rapaz entendeu e agradeceu todo o nosso esforço.
E quando o passageiro não fala? Num voo para Bangkok, tive um casal de surdos-mudo - um suíço e uma tailandesa. A agente de terra em Dubai os trouxe à bordo e nos informou que apenas o senhor lia lábios em inglês, mas tínhamos que falar devagar - e sinceramente, acho que ele era muito bom nisso, pois um não nativo move os lábios diferentemente de um nativo, ele me entendeu todas as vezes que falei com ele me entendeu direitinho. Ela se despediu deles em linguagem de sinais e eu levei eles até os assentos. Esperei que o passageiro do assento ao lado viesse (voo lotado, como sempre) e expliquei a situação. E assim como o André* desse post aqui, o casal estava sempre animado, "conversando" com o passageiro do corredor (bom, pelo menos sempre que eu passava por ali, ele estava falando e o senhor suíço estava gesticulando e falando palavras curtas). Na hora de servi-los, eles apontavam o menu para as refeições e o senhor falava as bebidas (Pepsi, water, coffee, tea) e eu mostrava os opcionais (gelo, açúcar, leite) para facilitar a vida deles e receber um sim ou não com a cabeça (e não um sim ou não como dos indianos, hahaha).
Também fico muito feliz quando há passageiros brasileiros ou japoneses à bordo e sempre faço questão de falar com eles. Já tive passageiros brasileiros em voos de/para Sydney e uma vez tive o prazer de atender um grupo de 19 pessoas num voo entre Dubai e Bangkok (Inclusive foi engraçado porque um dos sub-chefes de cabine que estava na porta para o embarque recepcionando os passageiros era brasileiro. Quando ele disse "Bom dia" em português, eles devem ter se sentido na Varig, rsrsrs).
Agora, é com vocês! Que idiomas vocês falam? Já passaram apuros à bordo sem entender o que falavam? O que acha que poderia facilitar ainda mais a comunicação entre comissários e passageiros?
:-)
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Entrando na Emirates - Parte 6 (Ou o balanço após 6 meses, ou Adeus Emilie)
No fim do mês passado - para ser exata, no dia em que voltava de férias - completei seis meses de Emirates. Voando, mesmo, são só 5 so far. Porque o balanço só agora, às vésperas de completar 7 meses de casa? Well, hoje estive no Headquarters e no Training College com minha amiga, que dividiu o apartamento comigo por seis meses, pois ela pediu as contas e em dois dias volta para o seu país natal. Então fomos lá devolver as licenças de voo, manuais, uniformes etc dela.
Aí lembrei muito de quando entrei na Emirates e recebi tudo aquilo, como era tudo mágico. Pra mim na verdade, ainda é. É como o McDonalds: amo muito tudo isso - e sempre dou graças à Deus de ter caído no mundo do Turismo e ter me encontrado, pois um engenheiro me disse que eu não poderia ser arquiteta, já que não sei desenhar. Anyway, fui e falei com as induction officers, que são basicamente moças que tomam conta de você - são elas que dão as "aulas" na primeira semana sobre a Emirates, sobre algumas coisas em relação à Dubai etc, um pouco de cultura Árabe... À partir da segunda semana começa o treinamento de verdade sobre emergências, etc etc com os treinadores. E eu lembro delas terem falado que nós nos formamos e nunca mais voltamos lá para sequer dar um "Oi". Elas ficaram felizes em me ver e, felizes em saber que eu estou gostando do trabalho, gostando de morar em Dubai, que eu tenho planos em avançar na carreira e não ficar na econômica pra sempre.
Dei umas dicas para a Alicia (inicialmente citada nest post, que foi aprovada e já está em treinamento em outra companhia aérea aqui do Oriente Médio) e não as coloquei no post "Entrando na Emirates - Parte 5 (ou Dicas que ninguém dá!)", mas acho que agora elas cabem aqui nesse balanço. E talvez isso sirva de reflexão pra quem pensa em virar comissária de bordo - ou pra quem tenta imaginar o que eu passo por aqui....
Mito: vou viajar o mundo tudo!
Fato: vai depender muito das rotas que a companhia vai te colocar, e mesmo adorando Sydney, na minha última viagem semana passada, mal saí do hotel.
Lado bom: se você aproveitar o que cada cidade tem de melhor, mesmo que você vá sempre às mesmas 5 (meu caso) pode ser muito legal descobrir coisas novas, não se prenda às mesmas atividades sempre...
Mito: é tudo tão glamuroso!
Fato: acordar 3 da manhã, limpar vômito, cuidar de passageiro que desmaiou e fez tudo nas calças, ver os botões do seu uniforme cair (seja pelos pneuzinhos, seja pelo desgaste), passar mais de 20 horas maquiada - às vezes com tempo de retocar só o batom e olha lá, aturar passageiro grosso que não entende que você NÃO é engenheira aeronautica/cozinheira/metereologista/carregadora de malas.... São coisas que você vai passar cedo ou tarde (e que eu já passei em 5 meses). E me diz se isso é glamuroso?
Lado bom: aprenda, aprenda e aprenda! Serve tanto para usar nesse emprego como em qualquer outro em que você teria de lidar com público. Estou virando uma esponja e absorvendo tudo o que posso.
Fato: vou conhecer um monte de gente!
Lado ruim: sim, mas lembre-se que tem gente fofoqueira, invejosa, preguiçosa e muitos outros osa também...
Lado bom: os osa bons, como atenciosa, carinhosa, maravilhosa... se você já estiver usando a experiência de lidar com pessoas que está adquirindo e não se deixar contagiar pelas coisas ruins, tenho certeza que fará amizades que durarão a vida inteira.
Fato: vou sentir saudades da minha família/amigos/namorado/gato/cachorro/passarinho....
Lado ruim: vai, vai sim. Inevitável. A intensidade varia de pessoa pra pessoa.
Lado bom: guria, agora tu pode viajar quase de graça, né? Além disso, tem email, skype, facebook e celular pra que? No pain, no gain. Pense nos pontos positivos de encarar essa vida e força na peruca!
Enfim, estou vendo o lado bom das coisas, e aproveitando muito bem a minha experiência aqui.
Até a próxima!
PS: Emilie, we will miss you!
domingo, 4 de outubro de 2009
Uma história e duas versões
Mas ainda to achando a história mal contada.... Será que a Globo quis dizer "cockpit" ao invés de "cabine"? Afinal, como eles iriam se livrar de 106 passageiros em pleno voo? (No India Times diz claramente que o cockpit ficou vazio durante a briga)
Fico imaginando o arranca-rabo e deve ter sido tão cômico quanto o tom dramático do vídeo!
A Air India é uma companhia tão cheia de surpresas que o slogan deles é que deveria ser "Keep Discovering"
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Infeliz
"Ou em português bem claro: fila prus pobris"
Achei legal que a Emirates esteja cuidando bem dos brasileiros que moram no Japão - ainda mais agora com a crise e ajuda financeira do governo japonês, eles estão voltando ao Brasil às pencas.
Enquanto a fila do check-in (da econômica, claro) pra Dubai e outros destinos ia andando lentamente, eu ia chegando próxima à fila pra São Paulo, que já não tinha ninguém, só havia uma família já no balcão, com assistência (argh) de uma agente de viagens. Um senhor me viu na fila "normal" e veio falar comigo. Disse que reparou na minha etiqueta de bagagem (ENOOOOORRRRMEEEE, azul e amarela da agência de viagens que eu trabalhava antes) e falou que eu podia ir na fila de check-in pra São Paulo. Agradeci a atenção mas disse que meu destino era Dubai, ao que ele respondeu: "Ué, Dubai?", como se houvesse algo de errado no fato de eu morar aqui. Expliquei que morava em Dubai e ele disse que não havia problema em fazer check-in naqule balcão mesmo. Agradeci de novo e expliquei que eu estava com bilhete de funcionário e que deveria esperar, já que eu era a pessoa com menos prioridade ali.
Daí, ele começou a conversa sobre a crise, dizendo que muitos dekasseguis estavam voltando ao Brasil. Respondi que sabia, pois acompanhava não só os jornais do Brasil, mas também os jornais em português no Japão. Então saiu a infeliz frase: "Só esses brasileiros que não tem sangue japonês estão voltando". Fui educada e respondi que brasileiros em geral estão voltando, independente do grau de descendência. Mas ele ainda insistiu, dizendo que sim. A minha fila começou a andar eu disse que tinha que ir. Ele me desejou boa viagem e eu desejei bom trabalho.
Mas o que eu tinha vontade de dizer era para ele ir catar coquinho na ladeira. Sinceramente, até quando esses nikkeis "puros" - que tem cara de japonês, nome de japonês mas são tratados como gaijins no próprio Japão - vão ter esse maldtio preconceito contra os nikkeis mestiços e seus cônjuges e filhos? Conheço mestiços que dão um verdadeiro baile em nisseis quando o assunto é o idioma japonês e a convivência na sociedade japonesa. Tinha até ficado feliz quando vi esses dois exemplos (1 & 2) outro dia na Globo Internacional.
Isso era para ser um post positivo, pois iria comentar como ele foi atencioso. Mas discriminação bota a perder qualquer simpatia.
PS: O casal da foto não é de brasileiros. Após atender todos os passageiros indo à São Paulo, o balcão fica aberto para o check-in do restante dos passageiros. E entre espera e meu check-in foram-se 50 minutos.
domingo, 27 de setembro de 2009
Entrando na Emirates - Parte 5 (ou Dicas que ninguém dá!)
Lembrando os links:
Airboy
Airlige
Fly Right International
sábado, 26 de setembro de 2009
Entrando na Emirates - Parte 4 (Preparativos para ir embora, mas pra onde?)
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Entrando na Emirates - Parte 3 (ou a Entrevista Final que não significa o fim)
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Entrando na Emirates - Parte 2 (ou a entrevista de 12 horas)
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Entrando na Emirates - Parte 1
*Troquei o nome de algumas pessoas para proteger a privacidade deles. Mas destroco para o nome real se eles quiserem :-)
terça-feira, 8 de setembro de 2009
"Vendo" o lado bom da vida...
Olá a todos!! Coonfesso que a falta de posts foi por pura preguiça - estou de férias de verdade, aqui no Japão, mas voltando amanhã pra Dubai!
Pra compensar os tempo sem posts, tenho o post de hoje e mais alguns prontos que vão ao ar nos próximos dias... Agora, senta que lá vem a história....
Voo Zurique - Dubai: 6hrs10min. Cheio.
Conexão em Dubai: 3hrs50. Aeroporto, algo assim -------------------->
Voo Dubai - Sydney: 13hrs50min. Obviamente, cheio, num assento de janela com dois vizinhos para pedir licença para ir ao banheiro.
Conexão em Sydney: 1hr50min antes de encarar mais 3hrs de viagem ate Auckland. E olha que ate chegar em Sydney, foram 23hrs50min de viagem (sem contar o tempo para chegar no aeroporto de Zurique e espera pro check-in).
Como você estaria? Cansado? De mau humor? Querendo ir pra casa? Precisando de um banho?
Agora, imagina se voce fosse cego, meu amigo. Completamente.
Fim do mês passado tive o imenso prazer te ter esse passageiro a bordo, entre Sydney e Auckland. Vamos chama-lo de André.
Durante o briefing (reunião antes dos voos) no aeroporto, o chefe de cabine falou que teríamos um passageiro cego - além de um menor desacompanhado (nessa hora também é informado sobre cadeirantes e VIPs). Confesso que na hora nem prestei muita atenção. Já eram quase 7 da manhã, eu havia acordado às 17hrs do dia anterior, não havia dormido à noite, tinha comido pouco no ônibus entre o hotel e o aeroporto (já que saimos do hotel as 6 da matina, não tem onde tomar café essa hora da madrugada), estava preocupada que já era terça e nada do meu bilhete pra viajar no sábado, só queria saber de voar logo, chegar em Auckland e cair na cama. Enfim, dá para ver que eu não estava no melhor dos meus moods.
Maaaaaas, como a minha posição era a primeira porta à direita (oposta a porta onde os passageiros embarcam), eu era sempre a comissária mais próxima do chefe de cabine: "Aline, leva a menor pro assento dela", "Aline, leva esse senhor pra Business class lá em cima" (sim, o senhor embarcou pela porta errada), "Aline, isso", "Aline, aquilo".... Aí veio: "Aline, por favor leve o Sr. André até o assento dele". Era o 76K. Mais de 30 fileiras pra trás. No caminho, perguntei se ele sabia ler braile - para dar o cartão de instruções de segurança em Braile, mas ele disse que esqueceu, de tanto usar um computador que lê tudo para ele. No maior otimismo, ele explicou que era completamente cego, mas que tinha esperança em recuperar a visão com tratamentos à base de células-tronco. Deixei ele no assento dele e voltei pra frente.
Como o voo não estava cheio, perguntei ao purser (sim, o tal chefe de cabine) se não poderíamos movê-lo pra frente, num assento mais próximo à porta - para desembarcar primeiro - e mais próximo à um banheiro. Aproveitei e pedi ao purser que fizesse a demonstração de segurança. Ele parecia uma criança feliz, brincando com as máscaras de oxigênio, colocou o colete salva vidas - o que um passageiro "normal" não pode fazer.
Decolamos, servimos brunch e quando estava servindo café (com um bule, após a refeição) e vi o André mexendo nos guardanapos da bandeja. Falei que não precisava organizar as coisas na bandeja, que nós cuidaríamos disso. Aí ele disse que estava procurando o lenço molhado para limpar as mãos, sempre sem se fazer de coitadinho, rindo da situação. Achei o guardanapo (caiu no assento, do lado da perna) e continuei trabalhando.
Pouco antes do pouso, vi que havia uma chamada (as call bells que tanto adoramos) e fui ver. Coincidentemente, era do assento dele. Muito educado, ele falou que sabia que estávamos para pousar, que se um de nós tivesse tempo e pudesse ajudá-lo com o cartão de entrada da Nova Zelândia, ele ficaria agradecido - sim, alguém foi insensível o suficiente para dar o cartão para ele e vazar! Sentei ao lado dele, li todas as perguntas e ele me respondia, eu escrevia. Depois que pousamos, pedi para o purser cuidar da minha porta e fui buscá-lo no assento dele. Os passageiros em volta se despediam dele e diziam que iam telefonar! Sim, até amizade ele fez!
Abri a porta do avião e o entreguei para a agente do aeroporto, junto com a menor de idade e assim o André se foi. Mas ele nos ensinou aquele dia como se ver o lado bom da vida, mesmo sem conseguir enxergar.
domingo, 23 de agosto de 2009
Special Meals (refeições especiais): o pesadelo de todo comissário!
Saúde: diabetes (diabetic meal - DBML), problemas de estômago (bland meal - BLML), intolerância à gluten (gluten free - GFML) ou a lactose, alergias à ovos, frutos do mar.Os pesadelos que temos com as specials são muitos: passageiro diz que solicitou mas não temos o pedido, pais não solicitam a refeição para crianças e o filho fica com vontade (e quer) depois de ver o vizinho de poltrona com uma (e convenhamos, até os comissários torcem pra sobrar uma daquelas caixinhas com chocolate, batata frita), passageiro que tem alergia à ovo e não solicitou "porque não sabia", a grande quantidade de bandejas para entregarmos na mão (que pode passar facilmente de 100 por voo, só na econômica).
Religiosos: Judeus (Kosher meal - KSML), Hindus (Hindu Meal - HNML) e Muçulmanos (Muslim meal -MOML) têm refeições diferenciadas por exemplo.
Preferência pessoal: Vegetarianos, crianças, etc.
Num voo pra Toronto, quando eu estava passando com o carrinho de bebidas, um passageiro estava esperando pacientemente com o prato fechado. Quando chego para oferecer a bebida, ele começa:
PAX: Desculpe, mas eu quero outra refeição. Eu não posso comer isso (abre o prato com mix grill - ovos mexidos, salsicha, bacon de peru e feijão) porque sou alérgico à ovos. Eu falei com a outra comissária e ela me trouxe isso (chacoalhando o prato).Perceberam o vai e vem como custam preciosos minutos? E com isso, os passageiros da fila de trás ficam olhando com cara feia, porque não ouvem meu diálogo com o alérgico, já que estão muito ocupados ouvindo os diálogos dos filmes (e de olho em MIM).
EU: Desculpe me senhor, mas a outra opção é Egg Rolls, com ovos obviamente. Você marcou a sua passagem online ou através de um agente?
PAX: Agente.
EU: Você poderia ter informado que tem alergias e o seu agente poderia ter solicitado uma refeição especial, sem ovos. A Emirates não cobra pelas refeições especiais. Vou verificar o que temos entre as refeições de comissários e já volto.
(Vou na cozinha, verifico o que tenho, volto no assento do dito cujo - 10 fileiras distante da cozinha).
EU: Senhor, temos noodles com bife e arroz com frango, qual dos dois prefere?
PAX: Noodles.
EU: Ok, vai demorar cerca de 20 minutos para aquecer. O senhor concorda em esperar?
PAX: Sim, não tem problema.
(Volto na cozinha, coloco o prato no forno, informo a sub-chefe e volto pra cabine)
EU: Senhor, assim que estiver aquecido nós traremos a sua refeição. Você tem algum voo de volta pela Emirates?
PAX: Não.
EU: Ok, pois se tivesse, eu iria solicitar para o seu próximo voo. Na próxima viagem, informe o seu agente e peça para que ele solicite uma refeição especial sem ovos, daí não teremos este tipo de incidente à bordo. O que vai querer para beber?
O oposto também acontece (gente que põe desculpa em alergias para comer algo diferente). Num voo pra Sydney, com apenas 10% de ravioli pra servir e já esgotados nas primeiras filas, claro, as últimas 15 filas tiveram APENAS DUAS opções: Salmão no vapor ou Frango grelhado. Friso APENAS DUAS opções porque a Emirates ainda tem 3 opções de refeições quando servimos lanche (caso que vou contar abaixo) e jantar na maioria dos voos de longa duração. Se fosse qualquer outra companhia aérea, o cliente teria que comer a outra opção que sobrou e fim de papo. Mas não, o sujeito a seguir não queria nem saber....
EU (me direcionando à todos os passageiros da fila): Senhoras, senhor, sinto em informar mas não temos mais nenhum Ravioli, apenas Salmão no vapor ou Frango grelhado. Qual das duas prefere?Depois de servir o mal-humorado, quando estava na cozinha, vi a passageira que passou por mim no assento dela (que era o último antes da cozinha) me olhando e me chamando. Fui até ela, que me explicou muito educadamente que ela estava conversando com um amigo que desceu da executiva para vê-la e que ela estava esperando no fundo que nós servissemos todos para que ela pudesse passar, e que como não estava no assento quando passamos com o carrinho de refeições, ela não tinha nada para comer. Como eu sabia que ela era italiana, perguntei se queria o ravioli, o que ela confirmou. Eu disse num tom de voz normal (geralmente audível em 2 a 3 fileiras, rs) que o ravioli acabou, que o salmão tembém havia acabado e que restara só frango. Ela disse que tudo bem, comeria o frango, que não teria problemas e que entendia, já que ela não estava no seu lugar quando deveria estar. Sabe o que eu fiz? Abaixei e cochichei que eu talvez tivesse um ravioli, e pedi que esperasse um pouco. Fui na cozinha, peguei o último ravioli, pus na bandeja e fui até ela: "Senhora, esse é o frango que temos hoje (disse abrindo o prato com ravioli), bom apetite!". Ela sorriu e disse obrigada, entendeu o meu truque, rs!
PAX (bravo e irônico): sou alérgico à salmão e a frango. O que você vai fazer agora, hein? (bem grosso meeeeeeesmo e dava na cara que era mentira).
(Normalmente eu venho com o texto do cara no voo pra Toronto - solicite uma special e não passe por isso - mas ele foi tão grosso que me deixou desconcentrada!)
EU: Senhor, verei o que posso fazer por você. Enquanto espera, você pode apreciar as entradas na bandeija (pão, queijo, bolachas salgadas e duas saladinhas). Você é alergico à camarão? Porque esta salada contém camarões.
PAX: Não (quase como um grunhido, rs)
EU: Ok, só peço que aguarde alguns minutos pois preciso terminar de servir as fileiras atrás (umas 5) e voltarei aqui com outra opção assim que possível.
(Na verdade, eu tinha 2 raviolis ainda [um com a tampa de alumínio um pouco rasgada, porque estava enroscada na prateleira do carrinho], mas sabia que iria acabar nos 2 primeiros passageiros que oferecesse, por isso, estava "guardando" para uma emergência - tipo alguém vegetariano, já que era Ravioli de queijo. Servi todo mundo, estacionei o carrinho no fundo, uma passageira que estava esperando o tempo todo no fundo passou por mim e eu subi as escadas para a Executiva, peguei o ravioli da tampa rasgada e botei num prato de louça, que usamos para ser vir os passageiros da business, enfeitei com dois raminhos de manjericão e desci).
EU: Senhor, isso foi o que eu consegui para você, bom apetite. E vazei (rs).
Enfim, mais ou menos isso acontece em quase todos os voos - todo mundo quer o prato que você menos tem no menu. Claro que nós temos truques e maneiras de falar que estimulam o passageiro à escolher a opção que temos mais, mas obviamente não vou dizer por aqui, rs!
Mas fazendo o resumo da ópera, se você ficou curioso em saber que tipo de refeição especial a companhia aérea que você vai viajar serve, você pode digital no Google "Emirates Special Meals" (sem aspas), ou "Lufthansa Special Meals" e por aí vai.
Outros links interesantes relacionados à comida à bordo são o airlinemeals.net e o site do LSG Sky Chefs mostram como são preparadas as refeições à bordo.
Boa viagem e bom apetite!
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Bye bye glamour (ou um voo com a perspectiva de uma comissária)
Estou voando há quase 3 meses e posso jurar que o trabalho é tão cansativo quanto trabalhar numa fábrica - e já fazem mais de 7 anos que não trabalho numa. Para vocês terem idéia da labuta que é, vou descrever como foi o meu último voo:
5:45: acordo, tomo banho e me arrumo pra ir - cabelo, maquiagem e uniforme impecáveis. Esqueço a barra de cereais que ia ser meu café da manha em cima da pia da cozinha. A mala e o uniforme foram preparados na noite anterior.Apesar de ser cansativo, de ser sujo às vezes (sim, já limpei vômito minha gente, e não é nada fácil aguentar sem vomitar em cima), de os passageiros não dizerem "por favor" e "obrigada", eu adoro o que faço. Gosto de lidar com pessoas, gosto de viajar, então acho que estou na profissão certa (por enquanto).
7:00: pego o ônibus da Emirates para o HQ (headquarters, ou a sede) da empresa, sem trânsito, levo máximo 20 minutos, com trânsito pode ser até 40.
7:25: chego no HQ, deixo as minhas malas no 1° andar e vou comprar um sanduíche no 2° andar. Volto pro 1° andar, pois não dá tempo de comer - tenho que fazer o check-in entre 120 e 100 minutos antes do voo.
7:40: faço o check-in, despacho a minha mala e vou pra sala de reunião do meu voo, respondo à perguntas feitas por um comissário senior para ter certeza que eu tenho conhecimento sobre segurança e ou primeiros socorros (e sim, todos os comissários do voo passam por isso, não estamos lá apenas pra servir café e sorrir).
8:00: a reunião começa, discutimos a quantidade de passageiros, novas atualizações sobre o serviço e/ou segurança, problemas de voos anteriores e o que fazer para isso não acontecer de novo.
8:15: os pilotos se juntam à nós e passam o tempo de voo, altitude e rota. Também nos avisam se haverá pontos turbulentos.
8:20: todos os tripulantes - pilotos e comissários - vão para o subsolo e pegam o onibus que nos deixa na porta da aeronave.
8:35: chegamos na aeronave, guardamos nossas malas de mão e fazemos checagens de segurança e começamos preparamos bandejas com menus, brinquedos, kit bebê e cartões de desembarque. Colocamos sucos, cervejas, vinhos e champanhe para gelar. Checamos se faltam cobertores, fones de ouvido ou necessáires (com escova de dente, máscara e meias) nos assentos e colocamos o que faltar.
8:57: lembra do sanduíche das 7:25? Dou duas mordidas - é o que da tempo - retoco o batom e coloco o chapéu: passageiros começam o embarque em 3 minutos.
9:00: começam a chegar os passageiros. Aliás, o voo de hoje está cheio, o que significa 396 na economica, 76 executiva e 14 na primeira classe.
Entre 9:00 e 9:40: passageiros embarcam, com muitas malas pesadas demais para serem levantadas no compartimento, muitas bolsas e sacolas. Eles mal entram no avião e já pedem água e comida - o que não posso dar senão os outros 395 também vão pedir, atrasando toooooodo o processo do embarque. Ando pela cabine pra cima e pra baixo várias vezes, ajudo com as malas de pessoas que realmente precisam - idosos e pessoas com crianças muito pequenas. Distribuímos brinquedos e kit bebê para quem viaja com crianças, além de tolhas quentes.
10:00: fechamos as portas com 20 minutos de atraso e o avião se move do portão, para ser considerado como partido, mas não partimos porque temos que buscar 8 malas de pessoas que fizeram o check-in, mas sabe-se lá porque motivo não vieram para o portão de embarque (e consequentemente não embarcaram, claro).
10:15: achadas as malas, podemos partir, certo? Errado. O capitão anuncia um problema técnico e pede que aguardemos enquanto tentam resolver. Espero sentada no meu assento perto da porta - por medidas de segurança - mas os passageiros ainda pedem água, biscoitos, jornais, leite pra criança...
10:39: o capitão anuncia que precisamos de um engenheiro para resolver o problema, voltamos ao portão.
10:45: preparamos bandejas com copos de água e servimos pela cabine. Uma mulher com duas crianças me pede, se possível, algo para comer para os filhos. Ela pediu autorização para ir comprar algo no terminal mas não a deixaram desembarcar. Como ela foi muito educada e pediu para as crianças, dou dois sanduíches que na verdade são lanches para comissários. Embulho no guardanapo e peço para ela ser discreta porque não tenho para todos.
11:21: estamos prontos para partir. Nesse meio tempo, muita gente foi ao banheiro e reclamou da descarga fraca. De 9 banheiros pra econômica, bloqueamos 3: 2 por causa da descarga e um pela imundície, acredite se quiser. Se está muito sujo, não limpamos por motivos óbvios, já que vamos manusear comida e bebida.
11:39: decolamos com quase duas horas de atraso.
12:00: sinais de cinto de segurança se apagam, nos trocamos para a roupa de cabine (colete e sapato de salto baixo), instalamos bercinhos, distribímos menus e cartões de entrada (aqueles que preparamos às 8 e pouco) preparamos os carrinhos de bebida enquanto as refeições terminam de esquentar - o que leva quase meia-hora.
12:35: servimos as special meals (refeições especiais, tipo vegetariana, diabética, para criança) primeiro, cada comissário levando 3 ou 4 bandejas na mão por vez.
12:45: começamos à servir o restante dos passageiros. É quase uma da tarde, mas como o voo deveria sair às 9:40, estamos servindo o café da manhã. Muita gente me pede chicken, que é opção do almoço, e eu tenho que mostrar no menu que é breakfast, pedir desculpas pelo atraso e explicar quais são as opções... isso toma um tempo danado, pois muitos passageiros não falam inglês, aí você tem que abrir as opções de comida, mostrar, perguntar qual...
14:45: depois que todo mundo comeu, bebeu e nós retiramos as bandejas, temos que organizar a cozinha (desmontar os carrinhos, guardar tudo que usamos) e esquentar a nossa comida. Isso quando sobra da nossa, pois tive dois passageiros que não podiam comer Omelete de Ricota e eu não tinha mais Mixed Grill (salsicha, bacon e ovos mexidos) e eu não tive outra opção a não ser esquentar as refeições de comissários e dar à eles. É incrível a quantia de pessoas que são alérgicas à ovos, queijo ou são vegetarianas e não solicitam refeição especial. Aí sou eu, de pé no corredor atrasando para servir todos os outros enquanto me desculpo com o alérgico/vegetariano que eu não tenho nada para ele e vou ver o que posso arranjar. Volto depois e explico a pessoa para solicitar da próxima vez e/ou verifico se eles tem um voo de conexão conosco para pedir ainda à bordo a refeição do próximo voo. Até brinco que eu era agente de viagens e falo para eles que eles deveriam trocar de agente, mas não de companhia aérea, rs (abro um parenteses um pouco comprido, mas lembrei de uma passageira que comprou passagem comigo e perguntou se poderia levar insulina à bordo com as seringas, já que a última vez que viajara foi antes do 11 de setembro e muitas medidas de segurança haviam mudado. Falei que sim, mas pedi que pegasse uma declaração com o médico em inglês para evitar problemas e que as comissárias poderiam guardar na geladeira à bordo. Perguntei à ela se queria que eu solicitasse refeição para diabéticos e ela não sabia que podia solicitar e que sequer existia tal facilidade. Por isso repito, perguntar pro agente de viagens não custa! Rs)
15:00: finalmente me sento para comer, já quase morta de fome, pois até agora só tive uma lata de Red Bull pela manhã e duas mordidas no sanduíche, que aliás, jogo fora porque ficou o tempo todo fora da geladeira (num calor de 41° em Dubai, não dá para abusar).
16:00: termino de comer - não porque comi muito, ou como devagar, mas sim porque todo esse tempo os passageiros vem na cozinha pedir de tudo: bebidas, biscoitos, cartões de entrada porque erraram o que já demos, cobertor extra porque estão com frio, fones de ouvido porque quebraram ou perderam (não me pergunte como) - ou atendemos às chamadas (sabe aquele botãozinho com o desenho de um homenzinho no controle do assento? você não faz noção de quanta gente aperta aquilo! principalmente crianças). E a essa altura do voo, estamos com um terço dos comissários dormindo - requerimento legal para voar longos trechos, já que se operarmos o voo inteiro, podemos sofrer de fatiga e estar mais propícios à erros ligados à segurança do voo.
16:30: depois de ir no banheiro, escovar os dentes, dar um tapa na aparência (sim querido leitor, temos padrões à manter :-), preparamos bandejas com água/sucos e vamos servindo pela cabine. Procuramos fazer isso a cada 30/45min. Entre as rodadas de água/sucos, temos que verificar os banheiros à cada 30min também.
17:10: acaba o primeiro round de kyukeis. Vai a segunda turma.
17:30: Começamos a preparar o lanche que vai ser servido em seguida. Esquentamos os wraps - meia-hora no forno - e arrumamos os carrinhos com cestas de frutas, barras de cereal e chocolates.
18:45: Começamos a servir o lanche - damos um tempo para servir bem no meio do voo e também porque tínhamos chamadas para atender.
19:45: chegamos ao final da cabine com o carinho de lanches (wraps, bananas, maçãs, barras de cereal e chocolates) quase vazio. É a primeira vez que vejo isso acontecer e fico impressionada.
19:50: acaba o segundo kyukei, a turma volta e faz a limpeza da cabine (recolher o lixo do lanche). Eu finalmente vou descansar, após 12 horas trabalhando (contando à partir do check-in). Nas 2hrs40min de descanso, os comissários preparam o almoço: repõem bebidas nos carrinhos, colocam as refeições no forno, escrevem os números dos assentos das quase 100 special meals... Fiquei sabendo que nesse meio tempo um senhor de 80 anos com histórico de ataque cardíaco e angioplastia passa mal, o que significou consultar serviço de emergência em terra, ministrar medicamentos e dar oxigênio. Enquanto um passageiro recebe oxigênio, um comissário deve ficar com ele o tempo todo, ou seja, a Mary Jo ficou em pé com ele duas horas verificando o estado dele, nível de oxigênio no sangue e batimentos cardícacos por minuto. E ainda por cima, o passageiro só falava árabe.
22:30: volto ao trabalho, e o resto do pessoal que estava trabalhando já serviram as specials meals e os primeiros carrinhos com bebidas e refeições. Terminamos de servir, recolhemos tudo e vamos pousar em menos de uma hora.
23:00: fechamos os conteineres com bebidas, fechamos os carrinhos de duty free, recolhemos cobertores e fones de ouvido. Praticamente tive que expulsar um senhor que ainda estava no banheiro, pois se todos não estão sentados e com cinto de segurança, não podemos passar para o capitão que a cabine está segura e ele não vai pousar enquanto não receber a confirmação.
23:15: finalmente pousamos em Toronto às 17:15 locais, com 1hr40min de atraso.
23:25 (17:25): as portas são abertas, todos levantam e pegam as malas para desembarcar, mas médicos tem que vir à bordo para verificar o senhor de 80 anos primeiro. Pedimos para todos sentarem, para que os médicos possam passar. Ninguém senta.
23:45 (17:45): depois que todos desembarcaram, pego a cadeira de rodas do avião e ajudo uma senhora até a porta. Verificamos se ninguém esqueceu nada e partimos
00:20 (18:20): o ônibus parte do aeroporto para o hotel. É hora de rush e pegamos trânsito.
01:00 (19:00): chegamos no hotel. Tenho que esperar todos os seniors fazer check-in primeiro (capitão, co-piloto, chefes de cabine, primeira classe, executiva...)
01:25 (19:25): finalmente estou dentro do quarto. Peço uma sopa pelo serviço de quarto, tomo um banho e desmaio antes das 21:00 (ou 03:00 no meu relógio biológico) e acordo 13 horas depois...

Pra quem ficou curioso, o voo de volta foi igualmente cheio, mas a maioria dormiu o tempo todo - o que não quer dizer que foi menos difícil, já que uma comissária ficou doente e voltou de Toronto como passageira.
Num próximo post, irei explicar sobre as special meals (refeições especiais). Até!
PS: sempre, sempre, sempre carregue carregue uma garrafinha de água e um chocolate. Isso pode te economizar muuuuuuitos minutos :-)
quarta-feira, 8 de julho de 2009
What if...? (E se...?)
Daí, recebi um comentário de alguém anônimo dizendo que sonhara com um acidente, que era para eu ter cuidado... E então ocorre o acidente com o voo da Yemenia Airways, de maneira bem parecida: mesma família de aeronaves (Airbus), condições climáticas (mau tempo) e desfecho (queda no mar).
Eu mesma já sonhei com a queda do avião em que eu estava: caímos na mata, mas não muito longe de sinais de civilização (uma represa), o co-piloto saiu em busca de ajuda (coisa meio impossível num caso de verdade) e 70 sobreviveram (dos 489 passageiros e 29 tripulantes que um A380 comporta). No meu sonho estava um passageiro que conheci num voo anterior (de verdade) e ele me contou que morria de medo de voar. Claro que no meu sonho, até no velório dele fui.
Juro que eu chorei as 3 primeiras semanas do treinamento na Emirates, que eram SEP (Safety & Emergency Procedures, ou Procedimentos de Segurança e Emergência) e primeiros socorros. Acordava todos os dias às 5 ou as 4:30 da manhã, me arrumava (sim, uniforme completo, cabelo e maquiagem eram mandatórios), quando dava tomava café e ia pro Training College. Aulas das 8 às 15:30. Voltava pra casa e tinha lição de casa, que incluía ler pelo menos umas 100 páginas do manual, completar umas 3 páginas de exercícios - o que me levava umas 4 à 5 horas de estudo em casa - e encarar provas teóricas e práticas umas 3 vezes por semana em média. Você aprende desde como usar o uma bomba de osmose inversa até como montar cabanas para sobrevivência no deserto.
Primeiros socorros inclui tratamento de fraturas, torções e queimaduras, além de parto à bordo, choque anafilático, massagem cardiorespiratória (a mesma que o médico do Michael Jackson aplicou sem sucesso tentando salvá-lo da parada cardíaca que o astro teve) etc etc.... A quantidade de medicamentos que temos à bordo (e pra que cada um serve) pra decorar é enorme...
Treinados, nós somos. Mas, você nunca sabe o que fazer e o que vai acontecer na hora. Pesquisas mostram que pessoas tendem a apertar o cinto do avião em caso de emergência (como se estivesse num carro), ao invés de levantar a lingueta de metal.
No meu primeiro voo, o detector de fumaça se ativou. Minha "chefa" se desesperou e gritou "FOGO!" (ainda bem que foi dentro da "cozinha", mas os passageiros poderiam ter ouvido) e saiu correndo para ver os banheiros do fundo, enquanto eu, com a maior cara de paisagem pensei "Vamos morrer" e comecei a guardar todas as coisas na "cozinha", pois não ia querer uma jarra de inox caindo na minha cara (ou na cara de qualquer um) caso ocorresse algo que fizesse avião desgovernar. Eu ainda tentei falar para ela que o "fogo" era no andar de cima (sim, o 380 tem dois andares) pois vi a indicação no painel da porta e nem adiantava subir as escadas correndo sendo que lá em cima são 12 comissários contra 8 em baixo, ou seja, eles tinham gente mais do que suficiente. Ela voltou com uma cara de "ué?", mostrei o painel e falei de novo que era em cima - só depois do desespero inicial ela foi me ouvir. O alarme (que não é chamativo, os passageiros nem perceberam) do detector cessou. No final das contas, era só pão que ficou tempo demais no forno, queimou e o cheiro de queimado foi detectado pelo sensor do banheiro próxima à cozinha do andar de cima....
Fiquei indignada quando soube que tinha gente querendo processar a TAM por causa de turbulência pouco antes de pouso em Guarulhos. Se estava para pousar, todos já deviam estar sentados e afivelados, ora pois! Após a decolagem, quando o sinal de cinto de segurança é apagado, o que mais vejo são cintos abertos para todos os lados. Outro dia, uma outra "chefa" me contou que num voo, o avião teve que abaixar 2000 pés de uma vez só porque uma aeronave acima estava numa turbulência e perdendo 800 pés de altitude. Se eles ficassem onde estavam, a aeronave de cima ia simplesmente acertá-los e well, essa história provalmente não estaria aqui - e sim num jornal como o maior acidente aéreo da história com uns 800 mortos, no mínimo. Mas quando as comissárias pedem para ficar de cinto sempre quando sentado(a), elas são chamadas de chatas....
Se o pior acontecer, o jeito é concentrar-se no possível para salvar vidas e rezar. É o que penso e se tivesse medo disso, não encararia esse emprego. Acho que minha família tem ciência de que quase sempre fiz o que quis fazer na vida e não me lamento pelo pouco que não pude fazer (balé e aulas de basquete por exemplo, rsrsrs).
PS: sempre oro à Deus pedindo que o voo seja seguro quando decolamos
PS 2: e oro agradecendo no pouso! rs
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Boas vindas à Priscila (e por que não dei as boas vindas antes)
Quem tem visitado o blog com frequência (obrigada, gente!), apesar das atualizações menos frequentes (sorry, prometo não dormir 18 horas da próxima vez que voltar de Sydney :-P) deve ter reparado que ao invés do meu perfil e o aviãozinho, agora temos os colaboradores - deveria ser "colaboradoras", aliás.PS: Alguns países não permitem que comissários de bordo não sejam testemunha em tribunais caso voem há mais de 5 anos, porque a pressurização da cabine + leveis mais baixos de oxigênio constantemente = problemas de memorização. Quais países? Ihh, esqueci!
Trabalhei com a Pri por 8 meses na agência de viagens onde fiquei por 4 anos. Eu saí, e ela "herdou" boa parte do que eu fazia. A Pri se descreve como "Antes de tudo Cosmopolita, amante das línguas estrangeiras e do ócio criativo (embora esteja dando duro no turismo ha 7 anos!), turismóloga e agente de turismo no horário comercial e apos expediente também. hehe" - tirando a parte do turismóloga (título que não tenho) e agente de turismo (agora sou comissária de bordo), temos muita coisa em comum.
Ainda lembro quando a Priscila começou a trabalhar lá e achei ela inteligente e observadora logo de cara - era tããããoooo fácil explicar qualquer coisa para ela! Rs
Os posts "Em meio ao turbilhão da Crise", "Vem chegando o verão" e "Parte 3: Viajando com animais de estimação - no Brasil" foram escritos pela Priscila e daqui para frente deve vir mais :-)
Bem-vinda à Blogosfera Pri!
Nova colaboradora se apresentando
Desde o fim de maio, comecei a participar como colaboradora do blog da Aline para esta incrível viagem pelo mundo do Turismo do Japão e para o Japão (textos: Em meio ao turbilhão da crise, Vem chegando o verão e, mais recentemente, Parte 3: Viajando com animais - no Brasil).
Espero contribuir positivamente e sanar as suas duvidas e dilemas de viajar clara e prontamente!
Pra quem quiser saber um pouquinho mais de mim, e só clicar no meu perfil. ;)
Desejo a todos uma boa viagem e o início de um sonho!
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Parte 3: Viajando com animais de estimação - no Brasil
Primeiro porque a reposta da confirmação pode demorar bastante, segundo que vai custar uns 90 reais mais o peso da gaiola e do animal multiplicado por 0,5% da tarifa cheia do trecho a ser voado no caso da TAM.
Além disso, se seu cachorro for grande e não estiver dentro da medida-padrão permitida (94 cm de comprimento x 64 cm de largura x 61 cm de altura), seu "bichinho" terá que ser levado como carga, ai o custo vai lá para cima, varia conforme destino, tamanho e época e será preciso fazer uma reserva na Tam Cargo.
Outro empecilho no caso do transporte pela Tam Cargo é o deslocamento entre o terminal de passageiros do aeroporto de Guarulhos e o de cargas, pois não dá para ir a pé e dificilmente um táxi aceitará o transporte do cão. Em outras palavras, você terá que arrumar uma empresa que aceite o serviço do traslado e arcar com este custo também.
domingo, 21 de junho de 2009
Coelhos, passáros e outros animais de estimação...
O motivo deste post é esclarecer dúvidas de quem quer levar outros bichos de estimação que não sejam cães e gatos ao Brasil. Vamos lá...
Pássaros: a entrada destes estava dependendo de um aviário para quarentena, o que em janeiro deste ano ainda não estava pronto. Se o quarentenário estiver pronto, ainda deve-se encontrar um companhia aérea disposta à transportar o bichinho, já que a Lufthansa, que em fevereiro disse transportar pássaros, em março voltou atrás, dizendo que só levaria cães e gatos após ter problemas com furões transportados ao Brasil. O que fazer: consultar o Ministério da Agricultura sobre o aviário e se estiver pronto, consultar agências de viagens para saber qual companhia aérea levaria aves ao Brasil (ou mesmo consultar as companhias aéreas diretamente)
Coelhos, furões, chinchilas e hamsters: aconselho verificar também com o Ministério da Agricultura/Agências e cias aéreas, já que houveram também problemas no transporte desses ao Brasil recentemente. Verificar primeiro as condições de entrada, isto é, documentação necessária, e companhias aéreas que transportariam esses tipos de animais.
Répteis: graças a um leitor do blog, soube que há uma portaria no Brasil que impede a entrada de répteis cuja origem não seja brasileira. Ou seja, se você tem uma tartaruga de origem asiática, você não poderá levá-la ao Brasil. O que fazer: Consulte o pet-shop ou veterinário sobre a origem do animal, confirme com o Ministério da Agricultura e só depois procure agências de viagens ou companhias aéreas para saber sobre o transporte.
Enviando animais de estimação: Conforme explicado neste post, é só cães e gatos pela Nittsu. Se quiser tentar outras transportadoras, clique aqui para ver uma lista de empresas na cidade de Narita (em japonês).
Um bom domingo à todos!
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Vem chegando o Verão
Começa também no Travelzine a temporada de explanaçoes sobre pacotes na Terra do Sol Nascente!
Com certeza, se você visitar algumas agências por ai, verá que existem pacotes de todos os preços para um mesmo destino. E é só puxar pela net também e ficar perdido (não só nos kanji e hiragana e katakanas da vida) entre as opçoes, tabelas, calendários, cores, opcionais.
Primeiro, o que você deve entender é que o preço vai variar, principalmente, conforme a data de embarque: quanto mais flexibilidade você tiver, melhores as condiçoes que obterá no valor do pacote. Quer sair de fim de semana? O destino é longe ou exotico? Dá para emendar com feriado? O voo sai de dia e o retorno chega no fim da tarde? Você comprará os passeios opcionais? Cuidado! Tudo isso pode encarecer exorbitantemente suas férias.
Segundo, pacote no Japão conta o dia que você sai e o dia que você chega. Por exemplo, você embarca sexta-feira a noite e chega ao destino na madrugada do sábado: já são 2 dias! No domingo, seu voo sai de noite, chegando no Japão a 01h00 da madrugada: é segunda-feira! Pronto, acabou o pacote de 4 dias! Foram 2 diárias no hotel, 2 noites e meia no destino escolhido e 2 dias realmente aproveitados (se você tiver conseguido dormir direito na madrugada em que chegou), mas você pagou por um pacote escrito no panfleto "4 dias em Tal-Lugar".
Terceiro, nem sempre o pacote mais barato é o melhor, pois normalmente eles não incluem café da manhã nem traslados; o voo sai muito cedo ou muito tarde - o que inviabilizaria o deslocamento entre sua casa e o aeroporto ou ter que esperar séculos até o embarque se ainda tiver condução e não quiser pagar táxi, ou ser obrigado a fazer o check out do hotel por volta das 11hs e ficar "na rua" até a noite, etc...
Há um detalhe importante: se você for viajar sozinho, terá que se preparar para pagar mais também. As operadoras turisticas cobram um valor mais caro para o viajante solo.
Se você tiver filhos pequenos, o preço poderá não ser tão diferenciado e os mais novinhos, podem pagar pouco so que terão que dividir a cama com um dos pais.
Ah, algumas pessoas se esquecem de uma parte chata: a politica de cancelamento e alteração! Todas as operadoras tem a sua e apos o momento da reserva e dependendo do quão atencipado você reservou seu pacote, incorrerá multas em caso de não poder viajar na data solicitada. E o valor da perda vai aumentando conforme a viagem se aproxima, podendo ser perda total se você nem avisar no dia planejado.
Por fim, o negocio é pesquisar o que está incluido no pacote e o que você pretende fazer no destino para saber se vale ou não a pena. Na hora de perguntar ao seu agente defina um plano: Será praia e/ou cidade? Quantos dias? Quantas pessoas? Quer passeios incluidos ou você procura por si mesmo?
Definindo isso, ja será mais fácil achar um pacote adequado ao que você deseja!
Nos proximos posts, devo falar de alguns destinos turisticos a começar pelas pérolas mais visadas por aqui: Okinawa e Phuket!
terça-feira, 26 de maio de 2009
Em meio ao turbilhão da crise:
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Dois meses depois....
Tenho recebido ainda alguns emails com dúvidas em relação à viagens com animais e gostaria muito de poder responder, mas no momento está difícil! Recomendo que procurem agências de viagens com serviço em português aí no Japão - e um agente de viagem paciente e competente acima de tudo, para responder as dúvidas.
Por enquanto, o que posso dizer é que voar é incrível!
Beijos e até breve numa cidade perto de você, rs


