segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cócócócócócócó, Múúúúúúúúúú (ou os apuros para se comunicar numa lingua que você não fala)

Na primeira vez que viajei de avião, tinha 14 anos. Estava acompanhada do meu irmão de 16. E só. Falava pouquíssimo inglês na época e o meu japonês não era sequer suficiente para manter um diálogo de duas frases. Vôo: VASP 8092 (acho) Guarulhos - Osaka, via Los Angeles. (Péssimo) Atedimento em português,  sem problemas de comunicação pelo menos...

Depois disso só fui viajar de novo aos 18 anos, mas já falava inglês e japonês razoalvelmente bem à ponto de me virar. Depois, só aos 21 (e com fluência in English and Nihongo de) e não parei mais. Portanto, nunca passei por uma situação de não entender o que os comissários estão falando - se bem que acho que 90% da população mudial sabe o que quer dizer "Chicken or Beef".

Quando tem um passageiro que não fala inglês, somos treinados à NÃO fazer o título do post! Mesmo com 26 comissários à bordo e as vezes com até 19 idiomas falados (Como dizemos nos anúncios à bordo: "Para a sua comodidade os idiomas falados pela tripulação incluem Árabe, Inglês, Francês, Espanhol, Português.....), falta justamente o idioma que vamos precisar! Como diz o ditado, uma imagem vale mais que mil palavras, então simplesmente eu mostro ao passageiro os pratos que temos e ele(a) escolhe. Normalmente os passageiros que não falam inglês bebem água, suco de laranja ou coca/sprite, que são fáceis de falar... Mesmo assim, isso não significa que nós não passamos por apuros quando não entendemos os passageiros...

No meu primeiro voo, tinha uma família inteira de indianos que só falava Punjabi. Pun o que? Isso mesmo meu amigo(a), Punjabi. Eu nem sequer sabia que esse idioma existia, até o meu primeiro voo. Por sorte, haviam passageiros no voo que falavam Punjabi e Inglês e nos ajudaram a entender o que eles queriam dizer: estavam indo ao Canadá, e não Londres (destino do voo) e não sabiam se precisariam dos cartões de imigração do Reino Unido.

Aliás, passageiros ajudam bastante! Na minha última viagem à Sydney tínhamos uma senhora que só falava Farsi (abre parenteses beeeeem comprido: muita gente acha que em todo Oriente Médio se fala Árabe, mas alguns países são exceção: Irã/Farsi, Afeganistão/Persa, Israel/Hebraico, Chipre/Grego e Turco e Turquia/Turco, obviamente. Além disso, no Paquistão  -  que fica na Ásia mas exporta muitos trabalhadores pra cá - a língua oficial é o Urdu. Santo Wikipedia). Ela tinha uma carta em Farsi e Inglês com frases úteis para ela, tipo, "Meu nome é tal, venho de Teerã para visitar minha neta Fulana, cujo telefone é tal etc etc" (que aliás, minha vó também usou em viagem ao Japão, rs). Mas nada em relação aos cartão de entrada da Austrália - que eu precisava explicar EM FARSI, que eu não poderia preencher para ela, já que a lei Australiana exige que cada um preencha o seu (salvo casos de incapacitados ou crianças, por exemplo). Por sorte, encontrei um senhor muito simpático, que falava Farsi e Inglês, sentando perto dela que me ajudou a explicar. No mesmo voo, um italiano que falava pouco inglês também veio perguntar sobre o tal cartão (hellooooow, agentes de viagem, explique pelo menos aos seus passageiros sobre isso, como eu fazia nos meus tempos, rs). A Vaida, uma das comissárias, jogou a batata na minha mão, mesmo sabendo que eu não falo Italiano! Expliquei ao moço logo de cara com todo o meu italiano que "Io sono brasiliana, non capisco Italiano, Spagnolo OK?" (o que foi uma meia verdade, já que expliquei tudo em portunhol, rsrsrs). O rapaz entendeu e agradeceu todo o nosso esforço.

E quando o passageiro não fala? Num voo para Bangkok, tive um casal de surdos-mudo - um suíço e uma tailandesa. A agente de terra em Dubai os trouxe à bordo e nos informou que apenas o senhor lia lábios em inglês, mas tínhamos que falar devagar - e sinceramente, acho que ele era muito bom nisso, pois um não nativo move os lábios diferentemente de um nativo, ele me entendeu todas as vezes que falei com ele me entendeu direitinho. Ela se despediu deles em linguagem de sinais e eu levei eles até os assentos. Esperei que o passageiro do assento ao lado viesse (voo lotado, como sempre) e expliquei a situação. E assim como o André* desse post aqui, o casal estava sempre animado, "conversando" com o passageiro do corredor (bom, pelo menos sempre que eu passava por ali, ele estava falando e o senhor suíço estava gesticulando e falando palavras curtas). Na hora de servi-los, eles apontavam o menu para as refeições e o senhor falava as bebidas (Pepsi, water, coffee, tea) e eu mostrava os opcionais (gelo, açúcar, leite) para facilitar a vida deles e receber um sim ou não com a cabeça (e não um sim ou não como dos indianos, hahaha).

Também fico muito feliz quando há passageiros brasileiros ou japoneses à bordo e sempre faço questão de falar com eles. Já tive passageiros brasileiros em voos de/para Sydney e uma vez tive o prazer de atender um grupo de 19 pessoas num voo entre Dubai e Bangkok (Inclusive foi engraçado porque  um dos sub-chefes de cabine que estava na porta para o embarque recepcionando os passageiros era brasileiro. Quando ele disse "Bom dia" em português, eles devem ter se sentido na Varig, rsrsrs).

Agora, é com vocês! Que idiomas vocês falam? Já passaram apuros à bordo sem entender o que falavam? O que acha que poderia facilitar ainda mais a comunicação entre comissários e passageiros?

:-)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Entrando na Emirates - Parte 6 (Ou o balanço após 6 meses, ou Adeus Emilie)

Olá pessoal! Animados com a chegada do outono/primavera? Bom, pra mim não faz muita diferença, pois como posso expreimentar praticamente as 4 estações do ano numa semana (primavera em Sydney, verão em Bangkok, outono em Londres e um frio invernal em Toronto)...

No fim do mês passado - para ser exata, no dia em que voltava de férias - completei seis meses de Emirates. Voando, mesmo, são só 5 so far. Porque o balanço só agora, às vésperas de completar 7 meses de casa? Well, hoje estive no Headquarters e no Training College com minha amiga, que dividiu o apartamento comigo por seis meses, pois ela pediu as contas e em dois dias volta para o seu país natal. Então fomos lá devolver as licenças de voo, manuais, uniformes etc dela.

Aí lembrei muito de quando entrei na Emirates e recebi tudo aquilo, como era tudo mágico. Pra mim na verdade, ainda é. É como o McDonalds: amo muito tudo isso - e sempre dou graças à Deus de ter caído no mundo do Turismo e ter me encontrado, pois um engenheiro me disse que eu não poderia ser arquiteta, já que não sei desenhar. Anyway, fui e falei com as induction officers, que são basicamente moças que tomam conta de você - são elas que dão as "aulas" na primeira semana sobre a Emirates, sobre algumas coisas em relação à Dubai etc, um pouco de cultura Árabe... À partir da segunda semana começa o treinamento de verdade sobre emergências, etc etc com os treinadores. E eu lembro delas terem falado que nós nos formamos e nunca mais voltamos lá para sequer dar um "Oi". Elas ficaram felizes em me ver e, felizes em saber que eu estou gostando do trabalho, gostando de morar em Dubai, que eu tenho planos em avançar na carreira e não ficar na econômica pra sempre.

Dei umas dicas para a Alicia (inicialmente citada nest post, que foi aprovada e já está em treinamento em outra companhia aérea aqui do Oriente Médio) e não as coloquei no post "Entrando na Emirates - Parte 5 (ou Dicas que ninguém dá!)", mas acho que agora elas cabem aqui nesse balanço. E talvez isso sirva de reflexão pra quem pensa em virar comissária de bordo - ou pra quem tenta imaginar o que eu passo por aqui....

Mito: vou viajar o mundo tudo!
Fato: vai depender muito das rotas que a companhia vai te colocar, e mesmo adorando Sydney, na minha última viagem semana passada, mal saí do hotel.
Lado bom: se você aproveitar o que cada cidade tem de melhor, mesmo que você vá sempre às mesmas 5 (meu caso) pode ser muito legal descobrir coisas novas, não se prenda às mesmas atividades sempre...

Mito: é tudo tão glamuroso!
Fato: acordar 3 da manhã, limpar vômito, cuidar de passageiro que desmaiou e fez tudo nas calças, ver os botões do seu uniforme cair (seja pelos pneuzinhos, seja pelo desgaste), passar mais de 20 horas maquiada - às vezes com tempo de retocar só o batom e olha lá, aturar passageiro grosso que não entende que você NÃO é engenheira aeronautica/cozinheira/metereologista/carregadora de malas.... São coisas que você vai passar cedo ou tarde (e que eu já passei em 5 meses). E me diz se isso é glamuroso?
Lado bom: aprenda, aprenda e aprenda! Serve tanto para usar nesse emprego como em qualquer outro em que você teria de lidar com público. Estou virando uma esponja e absorvendo tudo o que posso.

Fato: vou conhecer um monte de gente!
Lado ruim: sim, mas lembre-se que tem gente fofoqueira, invejosa, preguiçosa e muitos outros osa também...
Lado bom: os osa bons, como atenciosa, carinhosa, maravilhosa... se você já estiver usando a experiência de lidar com pessoas que está adquirindo e não se deixar contagiar pelas coisas ruins, tenho certeza que fará amizades que durarão a vida inteira.

Fato: vou sentir saudades da minha família/amigos/namorado/gato/cachorro/passarinho....
Lado ruim: vai, vai sim. Inevitável. A intensidade varia de pessoa pra pessoa.
Lado bom: guria, agora tu pode viajar quase de graça, né? Além disso, tem email, skype, facebook e celular pra que? No pain, no gain. Pense nos pontos positivos de encarar essa vida e força na peruca!

Enfim, estou vendo o lado bom das coisas, e aproveitando muito bem a minha experiência aqui.

Até a próxima!

PS: Emilie, we will miss you!

domingo, 4 de outubro de 2009

Uma história e duas versões

Quando você acja que viu de tudo, aparece uma dessas:


Videozinho só pra rir, porque entender mesmo que é bom,  não dá!

Mas ainda to achando a história mal contada.... Será que a Globo quis dizer "cockpit" ao invés de "cabine"? Afinal, como eles iriam se livrar de 106 passageiros em pleno voo? (No India Times diz claramente que o cockpit ficou vazio durante a briga)

Fico imaginando o arranca-rabo e deve ter sido tão cômico quanto o tom dramático do vídeo!

A Air India é uma companhia tão cheia de surpresas que o slogan deles é que deveria ser "Keep Discovering"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Infeliz

Estava no aeroporto de Osaka, segunda-feira dia 21, em pleno feriadão na fila do check-in, voltando das minhas férias. Logo de cara, reparei nisso:



"Ou em português bem claro: fila prus pobris"


Achei legal que a Emirates esteja cuidando bem dos brasileiros que moram no Japão - ainda mais agora com a crise e ajuda financeira do governo japonês, eles estão voltando ao Brasil às pencas.

Enquanto a fila do check-in (da econômica, claro) pra Dubai e outros destinos ia andando lentamente, eu ia chegando próxima à fila pra São Paulo, que já não tinha ninguém, só havia uma família já no balcão, com assistência (argh) de uma agente de viagens. Um senhor me viu na fila "normal" e veio falar comigo. Disse que reparou na minha etiqueta de bagagem (ENOOOOORRRRMEEEE, azul e amarela da agência de viagens que eu trabalhava antes) e falou que eu podia ir na fila de check-in pra São Paulo. Agradeci a atenção mas disse que meu destino era Dubai, ao que ele respondeu: "Ué, Dubai?", como se houvesse algo de errado no fato de eu morar aqui. Expliquei que morava  em Dubai e ele disse que não havia problema em fazer check-in naqule balcão mesmo. Agradeci de novo e expliquei que eu estava com bilhete de funcionário e que deveria esperar, já que eu era a pessoa com menos prioridade ali.

Daí, ele começou a conversa sobre a crise, dizendo que muitos dekasseguis estavam voltando ao Brasil. Respondi que sabia, pois acompanhava não só os jornais do Brasil, mas também os jornais em português no Japão. Então saiu a infeliz frase: "Só esses brasileiros que não tem sangue japonês estão voltando". Fui educada e respondi que brasileiros em geral estão voltando, independente do grau de descendência. Mas ele ainda insistiu, dizendo que sim. A minha fila começou a andar eu disse que tinha que ir. Ele me desejou boa viagem e eu desejei bom trabalho.

Mas o que eu tinha vontade de dizer era para ele ir catar coquinho na ladeira. Sinceramente, até quando esses nikkeis "puros" - que tem cara de japonês, nome de japonês mas são tratados como gaijins no próprio Japão - vão ter esse maldtio preconceito contra os nikkeis mestiços e seus cônjuges e filhos? Conheço mestiços que dão um verdadeiro baile em nisseis quando o assunto é o idioma japonês e a convivência na sociedade japonesa. Tinha até ficado feliz quando vi esses dois exemplos (1 & 2) outro dia na Globo Internacional.

Isso era para ser um post positivo, pois iria comentar como ele foi atencioso. Mas discriminação bota a perder qualquer simpatia.

PS: O casal da foto não é de brasileiros. Após atender todos os passageiros indo à São Paulo, o balcão fica aberto para o check-in do restante dos passageiros. E entre espera e meu check-in foram-se 50 minutos.

domingo, 27 de setembro de 2009

Entrando na Emirates - Parte 5 (ou Dicas que ninguém dá!)

Deu para perceber que  para o processo de entrada  na Emirates, eu contei muito com a ajuda da Família, amigos e do Santo Google! Mas tem certas coisas que eu sabia também por sorte, outras aprendi durante o processo. As dicas, enfim, seriam...

Foto para currículo de comissários de bordo é especial, tirada no fotógrafo. Eu achei este pelo Google, e minhas fotos ficaram ótimas (pena que a qualidade do meu scanner não ajuda a digitalizar à altura), porém eu gastei mais de 16,000 ienes com fotos. Na entrevista, uma japonesa mostrou as fotos dela e ela pagou pouco mais de 3 mil ienes, ou seja, quase um quarto do preço das minhas!!! Pesquise e economize!

Aparência: mesmo com a mãe cabeleireira, o meu cabelo não ficou uma beleza para a primeira entrevista. E nem todo mundo tem mãe cabeleireira pra contar com uma mãozinha. Treine penteados e maquiagem, pois sempre há gurias de aparência impecável no dia da entrevista. Vá bem arrumada e não se sinta por baixo! Isso inclui levar DOIS pares de meia-calça na bolsa - eu já rasguei dois pares de meia-calça um dia um Dubai, antes de ir pro colégio. Ah, claro, Youtube também ajuda.

Trajeto (principalmente para quem mora no Japão): pesquise trens e ônibus para o local da entrevista, NUNCA vá de carro. O site Navitime é muito bom para ajudar. Se eu não soubesse do ônibus do hotel no dia da entrevista, estaria frita!

Leia, leia e leia: muito, e melhor ainda, em inglês. Todo o processo de entrevista é feito em inglês e, aqui no Japão, teste de japonês formal é apenas pros Japoneses - eu até perguntei se eu teria que fazer e me disseram que não. Mas brincando, vi a folha e de 5 perguntas, acertei 4.

Pra quem quiser tentar, desejo boa sorte, mas como já disse aqui no blog, aeromoça não é só pra sorrir e servir café! :-)

Lembrando os links:

Airboy
Airlige
Fly Right International

sábado, 26 de setembro de 2009

Entrando na Emirates - Parte 4 (Preparativos para ir embora, mas pra onde?)

Do dia da Golden Call (dia 8 de janeiro, meu aniversário :-) até o fatídico dia que vou descrever agora, foi-se quase um mês. Estava crente que eu iria dia 13 de fevereiro, como prometido. Trabalharia até dia 6 de fevereiro, para ter um tempinho pra me preparar antes de ir embora.

Dia 5 de fevereiro, quinta-feira, 22:30 - ou 17:30 em Dubai - me dá uma coisa que diz "Vai checar o seu email". Tive essa sensação porque que pensei que estava vindo o final Aproval e o meu bilhete eletrônico. Mas não. Era pior, beeeem pior. Maria e Fábio estavam na sala. E se tem algo oposto de Poker Face, sou eu. Voltei do quarto com uma cara que eles perguntaram quem havia morrido. Eu mal conseguia falar. Comecei a chorar de soluçar e tentar falar ao mesmo tempo: Cancelaram o meu contrato.

Chorei atééééééééééé dizer chega. Fui dormir quase às 4 da manhã. A Maria (Santa Maria), dormiu em casa, tentou me iluminar as idéias. Falou para eu pensar nos planos que eu tinha se não passasse - que era fazer faculdade de turismo em Tokyo, mas as inscrições encerraram há tempos e o vestibular seria dentro de dois dias. Sem chance. Na sexta, tive que trabalhar mesmo assim, já que eu fazia atendimento telefonico para uma agência de turismo e o escritório era fechado na sexta. Cada vez que as pessoas perguntavam pelas passagens da Emirates, eu queria moooooooorrerrrrrrrrr! E não foram poucas passagens que marquei aquele dia, muitas da Emirates mesmo.

Tentei falar com a Airlige na sexta, mas eles também foram pegos de surpresa e o telefone lá também não parava. Liguei no Sábado novamente na Airlige e eles me deram mais 3 números de telefone pra discar. Dos 6 que eu já tinha do começo de Janeiro, com esses 3, davam mais 9. Domingo, começo de semana em Dubai (já que sexta e sábado são fim de semana no oriente médio), ligo para Dubai mais de 60 vezes. Consegui falar apenas uma vez, a moça me disse que ia transferir a ligação e simplesmente desligou...

Segunda, falo com a Airlige de novo, eles me pediram paciência, eles também estavam tentando o possível.
Terça, 22:30, novamente 17:30 em Dubai (ah sim, o expediente em Dubi Dubi termina as 17hrs), recebo um e-mail me parabenizando que eu fui especialmente escolhida para fazer parte do time do Airbus 380 (hoje eu sei que realmente isso é especial, sem desmerecer o resto da frota). Logo em seguida, recebi outro email avisando que a minha data de viagem para Dubai mudou para 27 de março.

Depois, recebi outro email pedindo que eu refizesse o audiograma (exame de ouvido). Lá vai eu no médico gastar mais 26 mil ienes com o novo exame.

Fiquei sem trabalhar até ir embora - tentei arranjar um bico por duas semanas, mas não achei emprego. No começo de março, a Airlige me pergunta se eu não poderia trocar de data e viajar dia 20 de março, pois uma japonesa que iria dia 20 de março (sim, somente nós duas tivemos o cancelamento cancelado) precisava ir dia 27. Pra mim foi melhor ainda. E assim, dia 20 de março, equinócio de primavera, partindo do Aeroporto de Kansai (mesmo aeroporto que pousei no Japão há mais de 11 anos antes), deixei a Terra do Sol Nascente em rumo à Terra do Sol Escaldante (autoria da frase: Fred Lavia!)

Ah sim, meu pai passou da saída da estrada expressa, o que significou uma hora a mais para chegar no aeroporto, mas isso deu um pouco mais de emoção no dia! :-)

Próximo post: Dicas que adorariam que me tivesssem dado...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Entrando na Emirates - Parte 3 (ou a Entrevista Final que não significa o fim)

Na sexta-feira, voltei à Osaka para a entrevista final, que marquei para as 16hrs. A da Alicia foi às 14hrs, então eu encontrei com ela dentro do banheiro do hotel coincidentemente e ela só me disse : "Fique tranquila, elas só perguntaram sobre experiência profissional atendendo clientes". Eu já tinha lido na internet (Santo Blog do Ariboy) sobre o que eles perguntam e estava tranquila, pois sabia que experiência era o que não me faltava.

Cheguei no quarto andar para a entrevista e tinha um funcionario do hotel por lá (ele fica para ajudar, pedir para trazerem móveis, ou trazer e recolher o almoço dos recruiters) e ele comentou que no dia anterior, só sobraram 24 no fim do dia. Ele disse tambem que dessa vez iriam contratar mais gente. A Beth saiu da sala  e me deu uns termos de compromisso para assinar - não fazer tatuagens, não fazer piercings, não botar brilhantes nos dentes, não pintar o cabelo de cor radicais - e um livrinho sobre o uniforme da EK - não andar com o uniforme na rua (se for pego, é demissão na certa), não deixar sua imagem de uniforme ser publicada na midia (só com autorização), ajudar sempre que solicitada quando estiver de uniforme, etc etc. Entrei para a entrevista e me pediram para citar exemplos de clientes que me trataram mal. Citei clientes do hotel que duvidavam que eu falava japonês e não falavam comigo, citei co-workers que perguntam se eu sei fazer conta, escrever endereço em japonês, mas que eu ignoro esse tipo de coisa e mostro que sou capaz, que é o melhor tipo de resposta. Depois a Cherry me perguntou sobre alguma vez que eu fiz mais que o esperado no trabalho para ajudar um cliente e eu citei o caso de uma passageira Chilena. Eu vendi um bilhete de ida e volta para Santiago pela Air Canada para ela ir buscar os filhos, mas que na volta o voo pousou em Osaka devido a  neve em Narita. Aí eu peguei a Cherry e a Beth quando repeti o que a passageira me disse pelo telefone ("Aline, estamos bem, mas estou aqui em Osaka, sem dinheiro e meus filhos estão com fome"). Nessa hora eu notei que a expressão delas deu uma amolecida. No fim, ajudei a passageira pelo telefone mesmo (arrangei entrega das malas em casa, voo Kansai-Haneda no dia seguinte,  hotel perto do aeroporto e 5,000 de meal vouchers para eles) e a Cherry perguntou o que aconteceu depois (passageiro continuou comprando passagens conosco, inclusive indicou mais passageiros), que horas a passageira me ligou (17:30), que horas eu fui embora (21:00....). Eu senti que eu havia passado porque a Cherry se corrigia toda hora. Fiquei de levar novas fotos (6 fotos de passaporte + 2 casuais + diploma do segundo grau) para a entrevista final e acabou faltando tudo, já que as fotos de passaporte que eu tinha levado não tinham sido aceitas. A Cherry falava: "Tire as fotos e guarde o filme ou o CD, porque você vai precisar de mais 20 fotos depois. (abre uns segundos e ela se corrigia) Se você passar". Mesmo faltando as fotos e o diploma, a Cherry me falou que em 3 semanas eu teria resposta, que foi justo quando eu iria ver o meu então quase ex-namorado em Hong Kong.

Aluguei um celular que funcionasse em Hong Kong e fui no dia 18DEZ. Ninguém quase me ligava quando estava no Japão. Em Hong Kong, até ligação de engano o povo fazia para o meu celular (e meu coração ia na boca). Enquanto ainda estava em Hong Kong, no dia 22DEZ, a Alicia me mandou um email dizendo que ela recebeu um email da EK (quem passa eles ligam, quem reprova, recebe esse email), ou seja, ela não havia passado na entrevista final. Quando cheguei de volta no Japão (dia 24), liguei para o meu flatmate (Fábio) e ele disse que haviam ligado em casa, mas sem numero e não deixaram recado. Não tinha como saber se eram eles e eu fiquei com a pulga atrás da orelha. Para tirar a dúvida, tentei acessar a minha aplicação online para ver se tinha inserido os numeros de telefone certo. A pulga virou um pulgueiro: não conseguia acessar o application e o site ainda me mostrava a mensagem YOU CAN NOT UPDATE YOUR STATUS NOW. YOU CAN DO IT  AFTER THE ACCEPTANCE OF OUR OFFER. Pensei: "What Offer?". Ninguem me liga, ninguem me manda email solicitando o diploma (as fotos mandei e chegaram em Dubai dia 16Dez). Mandei um email para o Mark com um print screen disso no dia 29Dez, porque dei um tempo para me ligarem. Deu dia 6 de janeiro e o Mark não me respondeu. Então eu liguei para ele mais ou menos 13hrs.

O Mark disse que mandaria um email para Dubai e que me informaria pelo email ou ligaria se soubesse de alguma coisa. No mesmo dia, as 19:22 a EK deu um toquinho no meu telefone, mas no Japão, os celulares não toca quando é wangiri, então meu telefone não tocou, só apareceu como chamada perdida. Eu tentei ligar de volta até as 22:30 (17:30 em Dubai), mas ninguém atendia. Dia seguinte, lá vai eu ligar para o Mark de novo. Ele me passou outros 4 numeros de telefone, então eu tinha 5 numeros e ele falou para eu tentar ligar. Tentei, mas ninguem atendia. Lá pela  5o tentativa, fiquei aguardando na  linha para falar com alguem, mesmo que não fosse do RH (If you require assistance, stay on the line) e a moça me atendeu com um inglês arcaico, me deu outro numero e agora eu tinha 6 numeros para discar. Depois de quase uma hora tentando, arrisquei ficar na linha de novo e falar com outra operadora. Ela já foi mais simpática, deixou eu explicar que ligaram, que eu sabia que faltava documentos, mas que até então eu não tinha recebido nenhum email... Ela passou para o RH!!! Falo com outra moça, explico tudo de novo, mas ela pegou os meus dados e disse que ligaria de volta em breve. O breve dela demorou 40 Minutos!!! Aí foi a chamada Golden Call, e a mesma moça que pegou os meus dados ligou de volta e dessa vez ela disse o nome dela (Sandy, justo eu que odiava a Sandy, agora não odeio mais, rsrsrs) e disse que eu estava aprovada para trabalhar com a Emirates. E me deu a data que eu finalmente sairia do Japão: 13 de fevereiro de 2009.

Abre a torneira parte 2: exames médicos (97,000 na Tokyo British Clinic entre exames e vacinas + 26,000 no dentista para raio-x, obturacao e limpeza) e mandei tudo escaneado para Dubai. Até então, já tinha gasto uns 250,000 ienes com terno, sapato, unhas, transporte, alimentação, fotos, exames médicos.... E ainda tinha que tirar mais fotos! Para a entrevista final, pediram fotos com fundo azul, agora queriam com fundo branco! Mas é um investimento que vale!

Próximo Post: Preparativos para ir embora, mas pra onde?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Entrando na Emirates - Parte 2 (ou a entrevista de 12 horas)

Pra quem perdeu a primeira parte da minha odisséia para conseguir esse não muito glamuroso emprego, clique aqui.

Continuando...

Domingo à noite viajo para a casa da minha mãe, segunda descanso, na terça de manhã acordei ainda mais cedo 4:30. Dessa vez sem chinês, sem erro na maquiagem e no cabelo. Mas em compensação, quando chego em Osaka, a Loop Line, que ia para o Hotel estava parada devido à acidente. Como eu vefiriquei tudo de antemão, sabia que tinha um ônibus do hotel que saia da estação de Osaka e que em 10min chegaria lá. Mas eu só consegui chegar no Hotel 5 para as 10 da manhã (e a entrevista começava às 10).

Corri para o 4o andar e o Mark já estava organizando a fila, que era por ordem alfabética do primeiro nome. Eis que na minha frente tinha uma Alicia*, que ao saber o meu nome, tb solta um "Vc é brasileira, guria?" Ficamos amigas também e logo começou o segundo martírio.

Entramos na sala na ordem dos números e lá já estavam a Cherry* e Beth*, recruiters da EK que já foram comissárias (a Cherry está na EK faz 5 ou 6 anos só). Mais uma sessão perguntas, dessa vez perguntei se tinhamos que aprender muito árabe - não, só o basico que é ensinado no treinamento basta (eu tinha que fazer que elas marcassem a minha cara também, rsrsrs). Foi pedido que o pessoal de 1 a 40 esperassem fora da sala e o pessoal de 41 a 80 voltasse 11:30.

Entramos na sala de novo e foi a discussão em grupo. 20 de um lado, 20 de outro. De novo fizemos o teste de alcance, e o tema era "Se você tivesse um milhão de dólares para doar a uma instituição de caridade, pra qual doaria e por quê?" Você tinha que perguntar isso à pessoa da sua direita e falar a sua resposta para a pessoa da sua esquerda. Depois em em seguida deram a tarefa de decidir 5 novos destinos para a EK (que ainda não voa) e por quê. Aí deu rolo. As meninas do meu grupo vieram com uma ideia absurda de incluir Alaska, dizendo que seria 'legal' ter um voo para um lugar frio, que é o oposto de Dubai (quente). Eu tentei convencer de então fazer o voo para Esctocolmo, Copenhagem, que a EK ainda nao voa para la e que esse voo poderia ser  mais lucrativo que Alasca (longe, precisa de US visa, etc etc) e acabou nossos 5 minutos. A Cherry pediu para 5 meninas levantarem e descrever os "novos" destinos e o porque que o GRUPO escolheu aquele destino. Outras 4 meninas e eu levantamos e descrevemos Tokyo, Vancouver, Rio, Buenos Aires e... Alasca! Eu estava visivelmente contrariada. Mandaram sair da sala e aguardar do lado de fora, enquanto eles decidiriam quem iria para casa mais cedo. Quando voltamos, mandaram a gente sair na ordem dos numeros e pegar uma cartinha com seu resultado na parte de baixo, que era dobrada. Eu pensei "Já era, meu grupo não discutiu nada bem, não chegamos à um consenso etc etc" e pra minha surpresa, tinha passado. Alicia também. A coreana, não.

Fomos almoçar e voltamos depois. Das 20 meninas que estava no meu grupo, passaram 9. Aí foi a hora do teste de inglês. Interpretação de texto com algumas perguntas múltipla escolha e uma redação de uma folha inteira com o tema "Se você fosse presidente do seu país por um dia, cite  5 coisas que você mudaria e por quê". Eu tinha zilhões de coisas na cabeça, mas o tempo era curto. Pra ajudar, uma anta sentada na mesma mesa que deixou o celular ligado no manner e aquela coisa vibrando em baixo da mesa tirava a minha concentração. Eu olhava para o lado e via o texto da japonesa com uma letra linda, sem nenhum borrão e o meu texto uma caca. Tentava escrever palavras complicadas tipo "inafiançável", que obviamente não sabia ("Os crimes ambientais no Brasil seriam inafiançáveis") e terminei o último assunto que mudaria num parágrafo de 3 linhas por causa do tempo. Pensei: "rodei". Esperamos do lado de fora, voltamos e pegamos as cartinhas de novo e passei. Milagre! Das 9 que passaram para essa fase, ficaram 7.

Esperamos prepararem a sala de novo e voltamos para uma nova discussão em grupo, sobre decidir um novo musical para a Broadway, roteiro, atores, título. As meninas (tirando a Alicia), eram umas topeiras! Mas deixei elas se virarem, só dei o título (que a Cherry gostou - "Love for Christmas") e saímos da sala. Entrou uma  por uma e nessa hora perguntaram  de tatuagens, marcas no corpo  e pediram para ler um parágrafo no jornal. Isso já era 5 e meia da tarde, super cansada li o jornal, que a Cherry tirou educadamente da minha mão e perguntou: "Sobre o que você acabou de ler?". "Sobre um reverendo que mandou casais recém-casados fazerem sexo por uma semana?". Ela só disse obrigado e mandou eu sair. A Alicia ainda foi mais cara de pau e disse "Sorry, didn't pay attention. Don't remember anything". Voltamos para as cartinhas e de 7, viramos 5.

Pediram para nós voltarmos 19:30 e acabamos esperando até 20:10 quando o Mark vem gritando "Alicia e Aline, cadê vcs?". Na hora, minha espinha gelou. Mas o que ele queria simplesmente era que fizessemos o teste de personalidade em inglês. Topamos. Entramos na sala e ganhamos um papel escrito "Otsukaresama deshita. You made to the final" Mas isso já eram 20:30 quase, estávamos tão cansados que ninguém se tocou, até que o Mark falou: "Gente, vocês estão na entrevista final, parabéns!" e a Cherry e a Beth começaram a bater palmas. Nisso foi explicado aos japoneses que havia só 20 livros para o teste de personalidade em japonês (+ 2 em inglês, que eram pra mim e para a Alicia), então 4 japoneses teriam que voltar no dia seguinte. Ou seja, dos 70 que tinha de manhã, fomos reduzidos à 26. Fiz o tal teste de inglês e saí do hotel às 21:45, a ponto de pegar o último ônibus para a estação de Osaka de lá liguei para a Sonia, já que tínhamos combinado de nos encontrarmos e eu passar tudo que tinha sido feito. Ela estava no táxi indo para o hotel que ela reservou e ela demorou para entender que eu tinha acabado aquela hora. Ela pensou que eu tinha acabado mais cedo e estava fazendo compras em Osaka. Expliquei para ela que, ou eu ficava e passava tudo antes das 23:00, que era o meu último trem ou que eu ficasse com ela no hotel. Ela foi ainda mais generosa e reservou um quarto para mim. Fui para o APA hotel, tomei um banho e fui finalmente "jantar" (umas tranqueiras que comprei na loja de conveniência), umas 11 da noite. Passei tudo tim tim por tim tim e fomos dormir quase uma da manhã. No dia seguinte ela foi para o segundo screening, e eu acordei umas 10:30 e voltei para a casa da minha mãe.

Lá pelas 5 da tarde, a Sonia me escreve agradecendo por eu ter passado tudo para ela, mas que não deu e ela foi reprovada (fui saber depois que era na redação, cujo tema era "Escolha 3 esportes das olimpíadas de inverno que vc eliminaria e por que").

Até aqui deu pra ver que, quem não lê um jornal, um livro bom de vez em quando roda por falta do que escrever (e erros gramaticais também).

Terceira parte no próximo post, sobre a entrevista final (quando final não significa o fim).

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Entrando na Emirates - Parte 1

Muita gente me pergunta como eu consegui entrar na Emirates  - como se 5 anos trabalhando com turismo, muito estudo do idioma japonês (mesmo quando eu não gostava) e dedicação para aprender inglês não contasse.

Enfim, vou contar o que aconteceu comigo, sem dar dicas de entrevista, etc etc porque o blog do Airboy já é muito bom nisso, e datas de entrevistas estão sempre disponíveis no site de recrutamento da Emirates, o Emirates Group Careers.

Estava à toa no trabalho em setembro do ano passado (quando trabalhava numa agência japonesa, só emitindo passagens da TAM) colhendo dados para o blog sobre milhas e vi os sites de todas as cias que brasileiros mais usam no Japão. American, Continental, Delta, etc e por último vi a página da Emirates. Na mais pura falta do que fazer, cliquei no "About Us" e vi que eles estavam recrutando Cabin Crew no Japão. E que eu preenchia quase todos os requisitos (faltava terminar o segundo grau, cujo provão do supletivo fiz no final de setembro, depois mesmo de ver o site). Fiz o supletivo mas não apliquei de imediato. Sabe por quê? Eu tinha um "namorado" em Nova York. Ele trabalhava no Barclays Capital de lá e ele me falava desde abril que não sabia se teria emprego depois do verão. E, se ele fosse despedido, talvez viesse morar no Japão, nem que fosse para dar aula de inglês. Dito e feito: a crise estourou, começaram as demissões. O Lehman faliu, o Barclays comprou $250 mi em  ativos do Lehman e ele foi transferido para o escritório na 7th Ave do Lehman. Duas semanas depois, foi cortado. Isso era 22 de outubro. O prazo para aplicar era 27 de outubro.

Eu tentei rodeá-lo para ver o que ele diria sobre vir para cá, mas ele não dizia nada. Abri o jogo e falei da Emirates (abaixo EK). Ele falou que eu era jovem, devia aplicar e viajar, ver o mundo. Nunca me senti tão desprezada. Fiz o application online dia 27, umas sete da noite. Se eles não me chamassem para a entrevista (que seria dia 16NOV) até o dia 6NOV, eu iria pagar 28,000 para ir num seminário e automaticamente passar para a segunda entrevista. Esse seminário é ministrado pela Airlige, uma escola de comissários de bordo de Osaka, que é a recruiting agency da EK no Japão. No dia 29 (2 dias depois do application), recebi o email da Airlige me convidando para ir no First Screening, dia 16NOV (domingo) na sede da escola, em Namba (argh, Osaka :p).


Aí abriu a torneira: compra sapato, terno, faz unha, tira foto no estúdio, compra passagem de ônibus... No estúdio, que achei pela internet, o fotógrafo me mostrou a foto de uma half alemã-japonesa que foi no dia anterior e que também iria no teste da Emirates. Eu vi a foto e pensei "A disputa vai ser braba". Por sorte, minha mãe ainda movara em Shiga, por isso dava para eu dormir de sábado para Domingo lá e no domingo de manhã ir para Osaka (2 horas de trem).

Acordo as 5:30, a entrevista é as 10:00. Eu mal havia levantado da cama e acendido a luz e adivinha? Começaram a bater na porta da casa da minha mãe. Era um chinês, bêbado, dizendo que estáva com frio e queria entrar, acha? Falei umas coisas para ele e ameacei a chamar a polícia. Ele foi embora, mas já ficamos desconcentradas. Tomei banho, café, preparei a pele para a maquiagem e a maquiagem não saia, me borrava toda. Minha mãe tentou fazer um coque em mim, e o bendito coque não saía, ficava torto, caia (isso porque minha mãe é cabeleireira com 35 anos de profissão), e o tempo passando. Saí depois do horário previsto mas não chegaria atrasada.

Chego em Namba, ainda tinha que comprar Hagaki (cartão postal) resposta e ao chegar na fila, vi a Alemã (Sonia*). Entregamos currículo, fizemos o teste de altura (alcançar 212cm descalça) e assistimos um DVD da  EK (tinha 48 pessoas na sala). Depois do DVD, um dos professores (Mark*) fez a sessão perguntas e as pessoas iam tirando as dúvidas. No final ele ficou, "Ninguém mais tem dúvidas? Last question!". Quem me conhece sabe que eu não perderia a chance: ergui o braço, rsrsrsr. Precisava que eles lembrassem da minha cara, rsrs!

Disse que a EK começou a voar para São Paulo em outrubro de 2007 e sabia que era uma rota que vendia bem. Perguntei se haveria a possibilidade de abrirem novas rotas para a América Latina e ele disse que sim, mas que não poderia revelar quais. Aí ele disse que tínhamos 15 minutos para retocar maquiagem, ir no banheiro e tomar água, enquanto eles preparavam as salas ao lado para entrevistas individuais. O Wes mal saiu da sala e a menina da minha frente vira e pergunta: "Are you Brazilian?". Confirmei e ela disparou um "Não acredito, guria!". Daí deu para perceber que eu e a Maria* viramos super amigas. Aproveitei e falei da coincidência da foto e puxamos papo com a Sonia que também ficou nossa amiga.

Hora da entrevista, eu acabo caindo na sala do Mark (tinha mais outros dois professores) e com mais uma aplicante coreana. Até brinquei dizendo "Ué? Não era individual?" e ele disse que não daria tempo (descobri mais tarde que naquele dia foram  500 pessoas fazendo isso). Ele só perguntou sobre vivência internacional e confirmou os dados do currículo. Nisso acabou e eu fui almoçar com as meninas. Conversamos e eu voltei para Tokyo de trem bala mesmo (porque eu tinha uma passagem de ônibus para 11 da noite, mas estava muito cansada). Na quarta, dia 19 chegou o hagaki confirmando que eu passei para o segundo screening, dia 25Nov (terça), às 10 da manhã no Imperial Hotel em Osaka. Confirmei com o meu chefe na Gateways (onde eu trabalhava emitindo bilhetes da TAM)  que só trabalharia mesmo  até dia 21, já que o mês fechava dia 25 e a empresa  iria fechar no fim do mês - a empresa foi absorvida pela empresa do acionista majoritário, que estava mal, mas nenhum dos funcionários foi junto, todo mundo pediu as contas. A Maria não passou para o second screening; a Sonia passou, mas o dela era dia 26.

No próximo post: a segunda entrevista (ou a entrevista de 12 horas)

*Troquei o nome de algumas pessoas para proteger a privacidade deles. Mas destroco para o nome real se eles quiserem :-)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

"Vendo" o lado bom da vida...

Olá a todos!! Coonfesso que a falta de posts foi por pura preguiça - estou de férias de verdade, aqui no Japão, mas voltando amanhã pra Dubai!


Pra compensar os tempo sem posts, tenho o post de hoje e mais alguns prontos que vão ao ar nos próximos dias... Agora, senta que lá vem a história....


Voo Zurique - Dubai: 6hrs10min. Cheio.

Conexão em Dubai: 3hrs50. Aeroporto, algo assim -------------------->

Voo Dubai - Sydney: 13hrs50min. Obviamente, cheio, num assento de janela com dois vizinhos para pedir licença para ir ao banheiro.

Conexão em Sydney: 1hr50min antes de encarar mais 3hrs de viagem ate Auckland. E olha que ate chegar em Sydney, foram 23hrs50min de viagem (sem contar o tempo para chegar no aeroporto de Zurique e espera pro check-in).


Como você estaria? Cansado? De mau humor? Querendo ir pra casa? Precisando de um banho?


Agora, imagina se voce fosse cego, meu amigo. Completamente.


Fim do mês passado tive o imenso prazer te ter esse passageiro a bordo, entre Sydney e Auckland. Vamos chama-lo de André.


Durante o briefing (reunião antes dos voos) no aeroporto, o chefe de cabine falou que teríamos um passageiro cego - além de um menor desacompanhado (nessa hora também é informado sobre cadeirantes e VIPs). Confesso que na hora nem prestei muita atenção. Já eram quase 7 da manhã, eu havia acordado às 17hrs do dia anterior, não havia dormido à noite, tinha comido pouco no ônibus entre o hotel e o aeroporto (já que saimos do hotel as 6 da matina, não tem onde tomar café essa hora da madrugada), estava preocupada que já era terça e nada do meu bilhete pra viajar no sábado, só queria saber de voar logo, chegar em Auckland e cair na cama. Enfim, dá para ver que eu não estava no melhor dos meus moods.


Maaaaaas, como a minha posição era a primeira porta à direita (oposta a porta onde os passageiros embarcam), eu era sempre a comissária mais próxima do chefe de cabine: "Aline, leva a menor pro assento dela", "Aline, leva esse senhor pra Business class lá em cima" (sim, o senhor embarcou pela porta errada), "Aline, isso", "Aline, aquilo".... Aí veio: "Aline, por favor leve o Sr. André até o assento dele". Era o 76K. Mais de 30 fileiras pra trás. No caminho, perguntei se ele sabia ler braile - para dar o cartão de instruções de segurança em Braile, mas ele disse que esqueceu, de tanto usar um computador que lê tudo para ele. No maior otimismo, ele explicou que era completamente cego, mas que tinha esperança em recuperar a visão com tratamentos à base de células-tronco. Deixei ele no assento dele e voltei pra frente.


Como o voo não estava cheio, perguntei ao purser (sim, o tal chefe de cabine) se não poderíamos movê-lo pra frente, num assento mais próximo à porta - para desembarcar primeiro - e mais próximo à um banheiro. Aproveitei e pedi ao purser que fizesse a demonstração de segurança. Ele parecia uma criança feliz, brincando com as máscaras de oxigênio, colocou o colete salva vidas - o que um passageiro "normal" não pode fazer.


Decolamos, servimos brunch e quando estava servindo café (com um bule, após a refeição) e vi o André mexendo nos guardanapos da bandeja. Falei que não precisava organizar as coisas na bandeja, que nós cuidaríamos disso. Aí ele disse que estava procurando o lenço molhado para limpar as mãos, sempre sem se fazer de coitadinho, rindo da situação. Achei o guardanapo (caiu no assento, do lado da perna) e continuei trabalhando.


Pouco antes do pouso, vi que havia uma chamada (as call bells que tanto adoramos) e fui ver. Coincidentemente, era do assento dele. Muito educado, ele falou que sabia que estávamos para pousar, que se um de nós tivesse tempo e pudesse ajudá-lo com o cartão de entrada da Nova Zelândia, ele ficaria agradecido - sim, alguém foi insensível o suficiente para dar o cartão para ele e vazar! Sentei ao lado dele, li todas as perguntas e ele me respondia, eu escrevia. Depois que pousamos, pedi para o purser cuidar da minha porta e fui buscá-lo no assento dele. Os passageiros em volta se despediam dele e diziam que iam telefonar! Sim, até amizade ele fez!


Abri a porta do avião e o entreguei para a agente do aeroporto, junto com a menor de idade e assim o André se foi. Mas ele nos ensinou aquele dia como se ver o lado bom da vida, mesmo sem conseguir enxergar.

domingo, 23 de agosto de 2009

Special Meals (refeições especiais): o pesadelo de todo comissário!

No post anterior, falei brevemente sobre as special meals - aquele tipo refeição que você solicita quando faz a reserva (e não o check-in minha gente). Os motivos são vários:

Saúde: diabetes (diabetic meal - DBML), problemas de estômago (bland meal - BLML), intolerância à gluten (gluten free - GFML) ou a lactose, alergias à ovos, frutos do mar.

Religiosos: Judeus (Kosher meal - KSML), Hindus (Hindu Meal - HNML) e Muçulmanos (Muslim meal -MOML) têm refeições diferenciadas por exemplo.

Preferência pessoal: Vegetarianos, crianças, etc.
Os pesadelos que temos com as specials são muitos: passageiro diz que solicitou mas não temos o pedido, pais não solicitam a refeição para crianças e o filho fica com vontade (e quer) depois de ver o vizinho de poltrona com uma (e convenhamos, até os comissários torcem pra sobrar uma daquelas caixinhas com chocolate, batata frita), passageiro que tem alergia à ovo e não solicitou "porque não sabia", a grande quantidade de bandejas para entregarmos na mão (que pode passar facilmente de 100 por voo, só na econômica).

Num voo pra Toronto, quando eu estava passando com o carrinho de bebidas, um passageiro estava esperando pacientemente com o prato fechado. Quando chego para oferecer a bebida, ele começa:

PAX: Desculpe, mas eu quero outra refeição. Eu não posso comer isso (abre o prato com mix grill - ovos mexidos, salsicha, bacon de peru e feijão) porque sou alérgico à ovos. Eu falei com a outra comissária e ela me trouxe isso (chacoalhando o prato).

EU: Desculpe me senhor, mas a outra opção é Egg Rolls, com ovos obviamente. Você marcou a sua passagem online ou através de um agente?

PAX: Agente.

EU: Você poderia ter informado que tem alergias e o seu agente poderia ter solicitado uma refeição especial, sem ovos. A Emirates não cobra pelas refeições especiais. Vou verificar o que temos entre as refeições de comissários e já volto.

(Vou na cozinha, verifico o que tenho, volto no assento do dito cujo - 10 fileiras distante da cozinha).

EU: Senhor, temos noodles com bife e arroz com frango, qual dos dois prefere?

PAX: Noodles.

EU: Ok, vai demorar cerca de 20 minutos para aquecer. O senhor concorda em esperar?

PAX: Sim, não tem problema.

(Volto na cozinha, coloco o prato no forno, informo a sub-chefe e volto pra cabine)

EU: Senhor, assim que estiver aquecido nós traremos a sua refeição. Você tem algum voo de volta pela Emirates?

PAX: Não.

EU: Ok, pois se tivesse, eu iria solicitar para o seu próximo voo. Na próxima viagem, informe o seu agente e peça para que ele solicite uma refeição especial sem ovos, daí não teremos este tipo de incidente à bordo. O que vai querer para beber?
Perceberam o vai e vem como custam preciosos minutos? E com isso, os passageiros da fila de trás ficam olhando com cara feia, porque não ouvem meu diálogo com o alérgico, já que estão muito ocupados ouvindo os diálogos dos filmes (e de olho em MIM).

O oposto também acontece (gente que põe desculpa em alergias para comer algo diferente). Num voo pra Sydney, com apenas 10% de ravioli pra servir e já esgotados nas primeiras filas, claro, as últimas 15 filas tiveram APENAS DUAS opções: Salmão no vapor ou Frango grelhado. Friso APENAS DUAS opções porque a Emirates ainda tem 3 opções de refeições quando servimos lanche (caso que vou contar abaixo) e jantar na maioria dos voos de longa duração. Se fosse qualquer outra companhia aérea, o cliente teria que comer a outra opção que sobrou e fim de papo. Mas não, o sujeito a seguir não queria nem saber....

EU (me direcionando à todos os passageiros da fila): Senhoras, senhor, sinto em informar mas não temos mais nenhum Ravioli, apenas Salmão no vapor ou Frango grelhado. Qual das duas prefere?

PAX (bravo e irônico): sou alérgico à salmão e a frango. O que você vai fazer agora, hein? (bem grosso meeeeeeesmo e dava na cara que era mentira).

(Normalmente eu venho com o texto do cara no voo pra Toronto - solicite uma special e não passe por isso - mas ele foi tão grosso que me deixou desconcentrada!)

EU: Senhor, verei o que posso fazer por você. Enquanto espera, você pode apreciar as entradas na bandeija (pão, queijo, bolachas salgadas e duas saladinhas). Você é alergico à camarão? Porque esta salada contém camarões.

PAX: Não (quase como um grunhido, rs)

EU: Ok, só peço que aguarde alguns minutos pois preciso terminar de servir as fileiras atrás (umas 5) e voltarei aqui com outra opção assim que possível.

(Na verdade, eu tinha 2 raviolis ainda [um com a tampa de alumínio um pouco rasgada, porque estava enroscada na prateleira do carrinho], mas sabia que iria acabar nos 2 primeiros passageiros que oferecesse, por isso, estava "guardando" para uma emergência - tipo alguém vegetariano, já que era Ravioli de queijo. Servi todo mundo, estacionei o carrinho no fundo, uma passageira que estava esperando o tempo todo no fundo passou por mim e eu subi as escadas para a Executiva, peguei o ravioli da tampa rasgada e botei num prato de louça, que usamos para ser vir os passageiros da business, enfeitei com dois raminhos de manjericão e desci).

EU: Senhor, isso foi o que eu consegui para você, bom apetite. E vazei (rs).
Depois de servir o mal-humorado, quando estava na cozinha, vi a passageira que passou por mim no assento dela (que era o último antes da cozinha) me olhando e me chamando. Fui até ela, que me explicou muito educadamente que ela estava conversando com um amigo que desceu da executiva para vê-la e que ela estava esperando no fundo que nós servissemos todos para que ela pudesse passar, e que como não estava no assento quando passamos com o carrinho de refeições, ela não tinha nada para comer. Como eu sabia que ela era italiana, perguntei se queria o ravioli, o que ela confirmou. Eu disse num tom de voz normal (geralmente audível em 2 a 3 fileiras, rs) que o ravioli acabou, que o salmão tembém havia acabado e que restara só frango. Ela disse que tudo bem, comeria o frango, que não teria problemas e que entendia, já que ela não estava no seu lugar quando deveria estar. Sabe o que eu fiz? Abaixei e cochichei que eu talvez tivesse um ravioli, e pedi que esperasse um pouco. Fui na cozinha, peguei o último ravioli, pus na bandeja e fui até ela: "Senhora, esse é o frango que temos hoje (disse abrindo o prato com ravioli), bom apetite!". Ela sorriu e disse obrigada, entendeu o meu truque, rs!

Enfim, mais ou menos isso acontece em quase todos os voos - todo mundo quer o prato que você menos tem no menu. Claro que nós temos truques e maneiras de falar que estimulam o passageiro à escolher a opção que temos mais, mas obviamente não vou dizer por aqui, rs!

Mas fazendo o resumo da ópera, se você ficou curioso em saber que tipo de refeição especial a companhia aérea que você vai viajar serve, você pode digital no Google "Emirates Special Meals" (sem aspas), ou "Lufthansa Special Meals" e por aí vai.

Outros links interesantes relacionados à comida à bordo são o airlinemeals.net e o site do LSG Sky Chefs mostram como são preparadas as refeições à bordo.

Boa viagem e bom apetite!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Bye bye glamour (ou um voo com a perspectiva de uma comissária)

Pra quem acha que trabalhar como comissário(a) de bordo é glamuroso, essa reportagem da CNN é um ótimo reality check.

Estou voando há quase 3 meses e posso jurar que o trabalho é tão cansativo quanto trabalhar numa fábrica - e já fazem mais de 7 anos que não trabalho numa. Para vocês terem idéia da labuta que é, vou descrever como foi o meu último voo:

5:45: acordo, tomo banho e me arrumo pra ir - cabelo, maquiagem e uniforme impecáveis. Esqueço a barra de cereais que ia ser meu café da manha em cima da pia da cozinha. A mala e o uniforme foram preparados na noite anterior.

7:00: pego o ônibus da Emirates para o HQ (headquarters, ou a sede) da empresa, sem trânsito, levo máximo 20 minutos, com trânsito pode ser até 40.

7:25: chego no HQ, deixo as minhas malas no 1° andar e vou comprar um sanduíche no 2° andar. Volto pro 1° andar, pois não dá tempo de comer - tenho que fazer o check-in entre 120 e 100 minutos antes do voo.

7:40: faço o check-in, despacho a minha mala e vou pra sala de reunião do meu voo, respondo à perguntas feitas por um comissário senior para ter certeza que eu tenho conhecimento sobre segurança e ou primeiros socorros (e sim, todos os comissários do voo passam por isso, não estamos lá apenas pra servir café e sorrir).

8:00: a reunião começa, discutimos a quantidade de passageiros, novas atualizações sobre o serviço e/ou segurança, problemas de voos anteriores e o que fazer para isso não acontecer de novo.

8:15: os pilotos se juntam à nós e passam o tempo de voo, altitude e rota. Também nos avisam se haverá pontos turbulentos.

8:20: todos os tripulantes - pilotos e comissários - vão para o subsolo e pegam o onibus que nos deixa na porta da aeronave.

8:35: chegamos na aeronave, guardamos nossas malas de mão e fazemos checagens de segurança e começamos preparamos bandejas com menus, brinquedos, kit bebê e cartões de desembarque. Colocamos sucos, cervejas, vinhos e champanhe para gelar. Checamos se faltam cobertores, fones de ouvido ou necessáires (com escova de dente, máscara e meias) nos assentos e colocamos o que faltar.

8:57: lembra do sanduíche das 7:25? Dou duas mordidas - é o que da tempo - retoco o batom e coloco o chapéu: passageiros começam o embarque em 3 minutos.

9:00: começam a chegar os passageiros. Aliás, o voo de hoje está cheio, o que significa 396 na economica, 76 executiva e 14 na primeira classe.

Entre 9:00 e 9:40: passageiros embarcam, com muitas malas pesadas demais para serem levantadas no compartimento, muitas bolsas e sacolas. Eles mal entram no avião e já pedem água e comida - o que não posso dar senão os outros 395 também vão pedir, atrasando toooooodo o processo do embarque. Ando pela cabine pra cima e pra baixo várias vezes, ajudo com as malas de pessoas que realmente precisam - idosos e pessoas com crianças muito pequenas. Distribuímos brinquedos e kit bebê para quem viaja com crianças, além de tolhas quentes.

10:00: fechamos as portas com 20 minutos de atraso e o avião se move do portão, para ser considerado como partido, mas não partimos porque temos que buscar 8 malas de pessoas que fizeram o check-in, mas sabe-se lá porque motivo não vieram para o portão de embarque (e consequentemente não embarcaram, claro).

10:15: achadas as malas, podemos partir, certo? Errado. O capitão anuncia um problema técnico e pede que aguardemos enquanto tentam resolver. Espero sentada no meu assento perto da porta - por medidas de segurança - mas os passageiros ainda pedem água, biscoitos, jornais, leite pra criança...

10:39: o capitão anuncia que precisamos de um engenheiro para resolver o problema, voltamos ao portão.

10:45: preparamos bandejas com copos de água e servimos pela cabine. Uma mulher com duas crianças me pede, se possível, algo para comer para os filhos. Ela pediu autorização para ir comprar algo no terminal mas não a deixaram desembarcar. Como ela foi muito educada e pediu para as crianças, dou dois sanduíches que na verdade são lanches para comissários. Embulho no guardanapo e peço para ela ser discreta porque não tenho para todos.

11:21: estamos prontos para partir. Nesse meio tempo, muita gente foi ao banheiro e reclamou da descarga fraca. De 9 banheiros pra econômica, bloqueamos 3: 2 por causa da descarga e um pela imundície, acredite se quiser. Se está muito sujo, não limpamos por motivos óbvios, já que vamos manusear comida e bebida.

11:39: decolamos com quase duas horas de atraso.

12:00: sinais de cinto de segurança se apagam, nos trocamos para a roupa de cabine (colete e sapato de salto baixo), instalamos bercinhos, distribímos menus e cartões de entrada (aqueles que preparamos às 8 e pouco) preparamos os carrinhos de bebida enquanto as refeições terminam de esquentar - o que leva quase meia-hora.

12:35: servimos as special meals (refeições especiais, tipo vegetariana, diabética, para criança) primeiro, cada comissário levando 3 ou 4 bandejas na mão por vez.

12:45: começamos à servir o restante dos passageiros. É quase uma da tarde, mas como o voo deveria sair às 9:40, estamos servindo o café da manhã. Muita gente me pede chicken, que é opção do almoço, e eu tenho que mostrar no menu que é breakfast, pedir desculpas pelo atraso e explicar quais são as opções... isso toma um tempo danado, pois muitos passageiros não falam inglês, aí você tem que abrir as opções de comida, mostrar, perguntar qual...

14:45: depois que todo mundo comeu, bebeu e nós retiramos as bandejas, temos que organizar a cozinha (desmontar os carrinhos, guardar tudo que usamos) e esquentar a nossa comida. Isso quando sobra da nossa, pois tive dois passageiros que não podiam comer Omelete de Ricota e eu não tinha mais Mixed Grill (salsicha, bacon e ovos mexidos) e eu não tive outra opção a não ser esquentar as refeições de comissários e dar à eles. É incrível a quantia de pessoas que são alérgicas à ovos, queijo ou são vegetarianas e não solicitam refeição especial. Aí sou eu, de pé no corredor atrasando para servir todos os outros enquanto me desculpo com o alérgico/vegetariano que eu não tenho nada para ele e vou ver o que posso arranjar. Volto depois e explico a pessoa para solicitar da próxima vez e/ou verifico se eles tem um voo de conexão conosco para pedir ainda à bordo a refeição do próximo voo. Até brinco que eu era agente de viagens e falo para eles que eles deveriam trocar de agente, mas não de companhia aérea, rs (abro um parenteses um pouco comprido, mas lembrei de uma passageira que comprou passagem comigo e perguntou se poderia levar insulina à bordo com as seringas, já que a última vez que viajara foi antes do 11 de setembro e muitas medidas de segurança haviam mudado. Falei que sim, mas pedi que pegasse uma declaração com o médico em inglês para evitar problemas e que as comissárias poderiam guardar na geladeira à bordo. Perguntei à ela se queria que eu solicitasse refeição para diabéticos e ela não sabia que podia solicitar e que sequer existia tal facilidade. Por isso repito, perguntar pro agente de viagens não custa! Rs)

15:00: finalmente me sento para comer, já quase morta de fome, pois até agora só tive uma lata de Red Bull pela manhã e duas mordidas no sanduíche, que aliás, jogo fora porque ficou o tempo todo fora da geladeira (num calor de 41° em Dubai, não dá para abusar).

16:00: termino de comer - não porque comi muito, ou como devagar, mas sim porque todo esse tempo os passageiros vem na cozinha pedir de tudo: bebidas, biscoitos, cartões de entrada porque erraram o que já demos, cobertor extra porque estão com frio, fones de ouvido porque quebraram ou perderam (não me pergunte como) - ou atendemos às chamadas (sabe aquele botãozinho com o desenho de um homenzinho no controle do assento? você não faz noção de quanta gente aperta aquilo! principalmente crianças). E a essa altura do voo, estamos com um terço dos comissários dormindo - requerimento legal para voar longos trechos, já que se operarmos o voo inteiro, podemos sofrer de fatiga e estar mais propícios à erros ligados à segurança do voo.

16:30: depois de ir no banheiro, escovar os dentes, dar um tapa na aparência (sim querido leitor, temos padrões à manter :-), preparamos bandejas com água/sucos e vamos servindo pela cabine. Procuramos fazer isso a cada 30/45min. Entre as rodadas de água/sucos, temos que verificar os banheiros à cada 30min também.

17:10: acaba o primeiro round de kyukeis. Vai a segunda turma.

17:30: Começamos a preparar o lanche que vai ser servido em seguida. Esquentamos os wraps - meia-hora no forno - e arrumamos os carrinhos com cestas de frutas, barras de cereal e chocolates.

18:45: Começamos a servir o lanche - damos um tempo para servir bem no meio do voo e também porque tínhamos chamadas para atender.

19:45: chegamos ao final da cabine com o carinho de lanches (wraps, bananas, maçãs, barras de cereal e chocolates) quase vazio. É a primeira vez que vejo isso acontecer e fico impressionada.

19:50: acaba o segundo kyukei, a turma volta e faz a limpeza da cabine (recolher o lixo do lanche). Eu finalmente vou descansar, após 12 horas trabalhando (contando à partir do check-in). Nas 2hrs40min de descanso, os comissários preparam o almoço: repõem bebidas nos carrinhos, colocam as refeições no forno, escrevem os números dos assentos das quase 100 special meals... Fiquei sabendo que nesse meio tempo um senhor de 80 anos com histórico de ataque cardíaco e angioplastia passa mal, o que significou consultar serviço de emergência em terra, ministrar medicamentos e dar oxigênio. Enquanto um passageiro recebe oxigênio, um comissário deve ficar com ele o tempo todo, ou seja, a Mary Jo ficou em pé com ele duas horas verificando o estado dele, nível de oxigênio no sangue e batimentos cardícacos por minuto. E ainda por cima, o passageiro só falava árabe.

22:30: volto ao trabalho, e o resto do pessoal que estava trabalhando já serviram as specials meals e os primeiros carrinhos com bebidas e refeições. Terminamos de servir, recolhemos tudo e vamos pousar em menos de uma hora.

23:00: fechamos os conteineres com bebidas, fechamos os carrinhos de duty free, recolhemos cobertores e fones de ouvido. Praticamente tive que expulsar um senhor que ainda estava no banheiro, pois se todos não estão sentados e com cinto de segurança, não podemos passar para o capitão que a cabine está segura e ele não vai pousar enquanto não receber a confirmação.

23:15: finalmente pousamos em Toronto às 17:15 locais, com 1hr40min de atraso.

23:25 (17:25): as portas são abertas, todos levantam e pegam as malas para desembarcar, mas médicos tem que vir à bordo para verificar o senhor de 80 anos primeiro. Pedimos para todos sentarem, para que os médicos possam passar. Ninguém senta.

23:45 (17:45): depois que todos desembarcaram, pego a cadeira de rodas do avião e ajudo uma senhora até a porta. Verificamos se ninguém esqueceu nada e partimos

00:20 (18:20): o ônibus parte do aeroporto para o hotel. É hora de rush e pegamos trânsito.

01:00 (19:00): chegamos no hotel. Tenho que esperar todos os seniors fazer check-in primeiro (capitão, co-piloto, chefes de cabine, primeira classe, executiva...)

01:25 (19:25): finalmente estou dentro do quarto. Peço uma sopa pelo serviço de quarto, tomo um banho e desmaio antes das 21:00 (ou 03:00 no meu relógio biológico) e acordo 13 horas depois...
Apesar de ser cansativo, de ser sujo às vezes (sim, já limpei vômito minha gente, e não é nada fácil aguentar sem vomitar em cima), de os passageiros não dizerem "por favor" e "obrigada", eu adoro o que faço. Gosto de lidar com pessoas, gosto de viajar, então acho que estou na profissão certa (por enquanto).


Sonia, eu e Victor, num voo menos caótico para Londres


Pra quem ficou curioso, o voo de volta foi igualmente cheio, mas a maioria dormiu o tempo todo - o que não quer dizer que foi menos difícil, já que uma comissária ficou doente e voltou de Toronto como passageira.

Num próximo post, irei explicar sobre as special meals (refeições especiais). Até!

PS: sempre, sempre, sempre carregue carregue uma garrafinha de água e um chocolate. Isso pode te economizar muuuuuuitos minutos :-)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

What if...? (E se...?)

Desde a queda do Air France há pouco mais de um mês estava pensando em escrever algo sobre acidentes. Estava com esperanças de que talvez encontrassem a "caixa-preta" (que na verdade é laranja, mas deixemos o papo técnico para outra hora), para dizer o que achava baseada nos motivos do acidente.

Daí, recebi um comentário de alguém anônimo dizendo que sonhara com um acidente, que era para eu ter cuidado... E então ocorre o acidente com o voo da Yemenia Airways, de maneira bem parecida: mesma família de aeronaves (Airbus), condições climáticas (mau tempo) e desfecho (queda no mar).

Eu mesma já sonhei com a queda do avião em que eu estava: caímos na mata, mas não muito longe de sinais de civilização (uma represa), o co-piloto saiu em busca de ajuda (coisa meio impossível num caso de verdade) e 70 sobreviveram (dos 489 passageiros e 29 tripulantes que um A380 comporta). No meu sonho estava um passageiro que conheci num voo anterior (de verdade) e ele me contou que morria de medo de voar. Claro que no meu sonho, até no velório dele fui.

Juro que eu chorei as 3 primeiras semanas do treinamento na Emirates, que eram SEP (Safety & Emergency Procedures, ou Procedimentos de Segurança e Emergência) e primeiros socorros. Acordava todos os dias às 5 ou as 4:30 da manhã, me arrumava (sim, uniforme completo, cabelo e maquiagem eram mandatórios), quando dava tomava café e ia pro Training College. Aulas das 8 às 15:30. Voltava pra casa e tinha lição de casa, que incluía ler pelo menos umas 100 páginas do manual, completar umas 3 páginas de exercícios - o que me levava umas 4 à 5 horas de estudo em casa - e encarar provas teóricas e práticas umas 3 vezes por semana em média. Você aprende desde como usar o uma bomba de osmose inversa até como montar cabanas para sobrevivência no deserto.

Primeiros socorros inclui tratamento de fraturas, torções e queimaduras, além de parto à bordo, choque anafilático, massagem cardiorespiratória (a mesma que o médico do Michael Jackson aplicou sem sucesso tentando salvá-lo da parada cardíaca que o astro teve) etc etc.... A quantidade de medicamentos que temos à bordo (e pra que cada um serve) pra decorar é enorme...

Treinados, nós somos. Mas, você nunca sabe o que fazer e o que vai acontecer na hora. Pesquisas mostram que pessoas tendem a apertar o cinto do avião em caso de emergência (como se estivesse num carro), ao invés de levantar a lingueta de metal.

No meu primeiro voo, o detector de fumaça se ativou. Minha "chefa" se desesperou e gritou "FOGO!" (ainda bem que foi dentro da "cozinha", mas os passageiros poderiam ter ouvido) e saiu correndo para ver os banheiros do fundo, enquanto eu, com a maior cara de paisagem pensei "Vamos morrer" e comecei a guardar todas as coisas na "cozinha", pois não ia querer uma jarra de inox caindo na minha cara (ou na cara de qualquer um) caso ocorresse algo que fizesse avião desgovernar. Eu ainda tentei falar para ela que o "fogo" era no andar de cima (sim, o 380 tem dois andares) pois vi a indicação no painel da porta e nem adiantava subir as escadas correndo sendo que lá em cima são 12 comissários contra 8 em baixo, ou seja, eles tinham gente mais do que suficiente. Ela voltou com uma cara de "ué?", mostrei o painel e falei de novo que era em cima - só depois do desespero inicial ela foi me ouvir. O alarme (que não é chamativo, os passageiros nem perceberam) do detector cessou. No final das contas, era só pão que ficou tempo demais no forno, queimou e o cheiro de queimado foi detectado pelo sensor do banheiro próxima à cozinha do andar de cima....

Fiquei indignada quando soube que tinha gente querendo processar a TAM por causa de turbulência pouco antes de pouso em Guarulhos. Se estava para pousar, todos já deviam estar sentados e afivelados, ora pois! Após a decolagem, quando o sinal de cinto de segurança é apagado, o que mais vejo são cintos abertos para todos os lados. Outro dia, uma outra "chefa" me contou que num voo, o avião teve que abaixar 2000 pés de uma vez só porque uma aeronave acima estava numa turbulência e perdendo 800 pés de altitude. Se eles ficassem onde estavam, a aeronave de cima ia simplesmente acertá-los e well, essa história provalmente não estaria aqui - e sim num jornal como o maior acidente aéreo da história com uns 800 mortos, no mínimo. Mas quando as comissárias pedem para ficar de cinto sempre quando sentado(a), elas são chamadas de chatas....

Se o pior acontecer, o jeito é concentrar-se no possível para salvar vidas e rezar. É o que penso e se tivesse medo disso, não encararia esse emprego. Acho que minha família tem ciência de que quase sempre fiz o que quis fazer na vida e não me lamento pelo pouco que não pude fazer (balé e aulas de basquete por exemplo, rsrsrs).

PS: sempre oro à Deus pedindo que o voo seja seguro quando decolamos
PS 2: e oro agradecendo no pouso! rs

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Boas vindas à Priscila (e por que não dei as boas vindas antes)

Você tem um amigo(a) que voa? Seja como comissário(a) ou piloto? Ele ou ela vive se esquecendo de tudo? Pois é... esse post está pronto desde 4 de junho, só não postei antes porque, well, esqueci! A Pri acabou de se apresentar, mas também vou deixar o meu post por aqui:

Quem tem visitado o blog com frequência (obrigada, gente!), apesar das atualizações menos frequentes (sorry, prometo não dormir 18 horas da próxima vez que voltar de Sydney :-P) deve ter reparado que ao invés do meu perfil e o aviãozinho, agora temos os colaboradores - deveria ser "colaboradoras", aliás.

Trabalhei com a Pri por 8 meses na agência de viagens onde fiquei por 4 anos. Eu saí, e ela "herdou" boa parte do que eu fazia. A Pri se descreve como "Antes de tudo Cosmopolita, amante das línguas estrangeiras e do ócio criativo (embora esteja dando duro no turismo ha 7 anos!), turismóloga e agente de turismo no horário comercial e apos expediente também. hehe" - tirando a parte do turismóloga (título que não tenho) e agente de turismo (agora sou comissária de bordo), temos muita coisa em comum.

Ainda lembro quando a Priscila começou a trabalhar lá e achei ela inteligente e observadora logo de cara - era tããããoooo fácil explicar qualquer coisa para ela! Rs

Os posts "Em meio ao turbilhão da Crise", "Vem chegando o verão" e "Parte 3: Viajando com animais de estimação - no Brasil" foram escritos pela Priscila e daqui para frente deve vir mais :-)

Bem-vinda à Blogosfera Pri!
PS: Alguns países não permitem que comissários de bordo não sejam testemunha em tribunais caso voem há mais de 5 anos, porque a pressurização da cabine + leveis mais baixos de oxigênio constantemente = problemas de memorização. Quais países? Ihh, esqueci!

Nova colaboradora se apresentando

Saudações, caros Leitores!

Desde o fim de maio, comecei a participar como colaboradora do blog da Aline para esta incrível viagem pelo mundo do Turismo do Japão e para o Japão (textos: Em meio ao turbilhão da crise, Vem chegando o verão e, mais recentemente, Parte 3: Viajando com animais - no Brasil).

Espero contribuir positivamente e sanar as suas duvidas e dilemas de viajar clara e prontamente!

Pra quem quiser saber um pouquinho mais de mim, e só clicar no meu perfil. ;)

Desejo a todos uma boa viagem e o início de um sonho!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Parte 3: Viajando com animais de estimação - no Brasil

Se sua viagem não acabou na primeira porta de entrada no Brasil e necessitará de um voo doméstico, tenha paciência (e um dinheiro extra).
Primeiro porque a reposta da confirmação pode demorar bastante, segundo que vai custar uns 90 reais mais o peso da gaiola e do animal multiplicado por 0,5% da tarifa cheia do trecho a ser voado no caso da TAM.
Além disso, se seu cachorro for grande e não estiver dentro da medida-padrão permitida (94 cm de comprimento x 64 cm de largura x 61 cm de altura), seu "bichinho" terá que ser levado como carga, ai o custo vai lá para cima, varia conforme destino, tamanho e época e será preciso fazer uma reserva na Tam Cargo.
Outro empecilho no caso do transporte pela Tam Cargo é o deslocamento entre o terminal de passageiros do aeroporto de Guarulhos e o de cargas, pois não dá para ir a pé e dificilmente um táxi aceitará o transporte do cão. Em outras palavras, você terá que arrumar uma empresa que aceite o serviço do traslado e arcar com este custo também.

domingo, 21 de junho de 2009

Coelhos, passáros e outros animais de estimação...

Olá a todos! Depois de dois vôos seguidos à Bangkok, finalmente estou em casa - e pensando seriamente em comprar um laptop esse mês mesmo, apesar de ter poucos voos ainda a receber...

O motivo deste post é esclarecer dúvidas de quem quer levar outros bichos de estimação que não sejam cães e gatos ao Brasil. Vamos lá...

Pássaros: a entrada destes estava dependendo de um aviário para quarentena, o que em janeiro deste ano ainda não estava pronto. Se o quarentenário estiver pronto, ainda deve-se encontrar um companhia aérea disposta à transportar o bichinho, já que a Lufthansa, que em fevereiro disse transportar pássaros, em março voltou atrás, dizendo que só levaria cães e gatos após ter problemas com furões transportados ao Brasil. O que fazer: consultar o Ministério da Agricultura sobre o aviário e se estiver pronto, consultar agências de viagens para saber qual companhia aérea levaria aves ao Brasil (ou mesmo consultar as companhias aéreas diretamente)

Coelhos, furões, chinchilas e hamsters: aconselho verificar também com o Ministério da Agricultura/Agências e cias aéreas, já que houveram também problemas no transporte desses ao Brasil recentemente. Verificar primeiro as condições de entrada, isto é, documentação necessária, e companhias aéreas que transportariam esses tipos de animais.

Répteis: graças a um leitor do blog, soube que há uma portaria no Brasil que impede a entrada de répteis cuja origem não seja brasileira. Ou seja, se você tem uma tartaruga de origem asiática, você não poderá levá-la ao Brasil. O que fazer: Consulte o pet-shop ou veterinário sobre a origem do animal, confirme com o Ministério da Agricultura e só depois procure agências de viagens ou companhias aéreas para saber sobre o transporte.

Enviando animais de estimação: Conforme explicado neste post, é só cães e gatos pela Nittsu. Se quiser tentar outras transportadoras, clique aqui para ver uma lista de empresas na cidade de Narita (em japonês).

Um bom domingo à todos!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Vem chegando o Verão

Começa a temporada de férias e o calor no Nihon e com elas a vontade de explorar novos horizontes nos coraçoes viajantes.

Começa também no Travelzine a temporada de explanaçoes sobre pacotes na Terra do Sol Nascente!

Com certeza, se você visitar algumas agências por ai, verá que existem pacotes de todos os preços para um mesmo destino. E é só puxar pela net também e ficar perdido (não só nos kanji e hiragana e katakanas da vida) entre as opçoes, tabelas, calendários, cores, opcionais.

Primeiro, o que você deve entender é que o preço vai variar, principalmente, conforme a data de embarque: quanto mais flexibilidade você tiver, melhores as condiçoes que obterá no valor do pacote. Quer sair de fim de semana? O destino é longe ou exotico? Dá para emendar com feriado? O voo sai de dia e o retorno chega no fim da tarde? Você comprará os passeios opcionais? Cuidado! Tudo isso pode encarecer exorbitantemente suas férias.

Segundo, pacote no Japão conta o dia que você sai e o dia que você chega. Por exemplo, você embarca sexta-feira a noite e chega ao destino na madrugada do sábado: já são 2 dias! No domingo, seu voo sai de noite, chegando no Japão a 01h00 da madrugada: é segunda-feira! Pronto, acabou o pacote de 4 dias! Foram 2 diárias no hotel, 2 noites e meia no destino escolhido e 2 dias realmente aproveitados (se você tiver conseguido dormir direito na madrugada em que chegou), mas você pagou por um pacote escrito no panfleto "4 dias em Tal-Lugar".

Terceiro, nem sempre o pacote mais barato é o melhor, pois normalmente eles não incluem café da manhã nem traslados; o voo sai muito cedo ou muito tarde - o que inviabilizaria o deslocamento entre sua casa e o aeroporto ou ter que esperar séculos até o embarque se ainda tiver condução e não quiser pagar táxi, ou ser obrigado a fazer o check out do hotel por volta das 11hs e ficar "na rua" até a noite, etc...

Há um detalhe importante: se você for viajar sozinho, terá que se preparar para pagar mais também. As operadoras turisticas cobram um valor mais caro para o viajante solo.

Se você tiver filhos pequenos, o preço poderá não ser tão diferenciado e os mais novinhos, podem pagar pouco so que terão que dividir a cama com um dos pais.

Ah, algumas pessoas se esquecem de uma parte chata: a politica de cancelamento e alteração! Todas as operadoras tem a sua e apos o momento da reserva e dependendo do quão atencipado você reservou seu pacote, incorrerá multas em caso de não poder viajar na data solicitada. E o valor da perda vai aumentando conforme a viagem se aproxima, podendo ser perda total se você nem avisar no dia planejado.

Por fim, o negocio é pesquisar o que está incluido no pacote e o que você pretende fazer no destino para saber se vale ou não a pena. Na hora de perguntar ao seu agente defina um plano: Será praia e/ou cidade? Quantos dias? Quantas pessoas? Quer passeios incluidos ou você procura por si mesmo?

Definindo isso, ja será mais fácil achar um pacote adequado ao que você deseja!

Nos proximos posts, devo falar de alguns destinos turisticos a começar pelas pérolas mais visadas por aqui: Okinawa e Phuket!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Em meio ao turbilhão da crise:

Péssimos índices economicos, desemprego, gripe suína... a situação parecia tão escura quanto as áreas inacessíveis aos turistas da Caverna do Diabo (Eldorado/SP); entretanto, ira se espantar quem estiver procurando passagens do Japão para o exterior, a partir de julho, já que será possível perceber uma queda dramática nos preços. A taxa de gasolina será reduzida a cinzas! Mas nem tudo são flores em meio a crise e um carneiro tinha que ser sacrificado: as malas - também serão reduzidas em peso e quantidade, não tenho ainda como detalhar e espero fazê-lo em breve.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Dois meses depois....

.... de sair do Japão, passar por um treino puxado e começar a voar, estou viva!!!

Tenho recebido ainda alguns emails com dúvidas em relação à viagens com animais e gostaria muito de poder responder, mas no momento está difícil! Recomendo que procurem agências de viagens com serviço em português aí no Japão - e um agente de viagem paciente e competente acima de tudo, para responder as dúvidas.

Por enquanto, o que posso dizer é que voar é incrível!

Beijos e até breve numa cidade perto de você, rs